Uns concordam, outros não. A aprovação do sistema de rodízio no abastecimento de água em Bauru não é unânime, porém é mais aceito entre os usuários que já sofrem diante das torneiras secas há pelo menos uma semana. Foi o que o JC constatou ao consultar cerca de dez moradores de sete bairros diferentes, todos eles incluídos nos dois setores que participarão do revezamento, a partir de hoje.
“Temos que respeitar as dificuldades do DAE e a natureza. A estiagem está longa mesmo. O rodízio é bom porque ninguém é pego de surpresa (com a falta d’água). Ajuda a gente a se programar”, diz Sérgio Rubens Manduca da Silva, morador do Núcleo Habitacional Presidente Geisel, onde ele diz que o desabastecimento é diário. Na Vila Antártica, onde trabalha, a escassez é menos freqüente, garante.
Já Dirço Segura Molina é contrário ao rodízio em qualquer ponto da cidade. Sem passar por privações, ele atribui a falta d’água ao que considera má administração municipal. “A prefeitura nem liga. Me sinto abandonada aqui. Não tem asfalto, minha casa está no meio da rua e o poste quase caindo sobre ela. Agora não tem água. Meu filho colocou meia para ir à escola porque estava com o pé sujo. Não tem água nem para o banho”, queixa-se Isabel Cristina da Silva.
Moradora da Vila Celina, a cozinha dela é o retrato da escassez de água: louças sobre a pia e roupas a lavar. “Acho bom o rodízio porque somos nós sem água que sustentamos os outros que têm água”, critica. Concorda com ela a vizinha Rosemeire Alves, que ontem à tarde não dispunha de água nem para trocar as fraldas do filho de quatro meses.
A duas quadras de lá, a moradora Roberta Cordeiro Bovolini, sem saber exatamente como funciona o rodízio, em princípio o considerou injusto. Depois, o qualificou como positivo por punir usuários que, mesmo na estiagem, desperdiçam água.
“Já estou economizando, mas como a caixa d’água é grande, não preciso (reservar em balde). Mas acho justo (o revezamento) porque temos de ser solidários às pessoas que não têm. Faz tempo que São Paulo faz (rodízio)”, diz Verilice Bizarra, moradora do Jardim Estoril, região nobre da cidade, que também será atingida.
Já Maria Aparecida de Freitas, que vive na Vila Independência, prefere nem entrar no mérito da questão: todo mundo tem direito à água, em qualquer período do ano, especialmente em épocas de altas temperaturas, defende.