Embora bem-vinda, a chuva modesta que caiu na madrugada e manhã de ontem em Bauru foi insuficiente para suspender o sistema de rodízio de água, que será mantido até segunda-feira pelo menos. Para que o abastecimento fosse normalizado, seriam necessários três dias de chuva capaz de acumular 30 milímetros de água por dia, estima a presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), engenheira Nilcéia de Paes Lourenço.
No entanto, a de ontem acumulou somente 3,2 milímetros, de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
“Vamos manter o mesmo cronograma até segunda, quando faremos uma nova reunião de avaliação (do rodízio). No final de semana, o consumo é um pouco menor”, explica Nilcéia. De acordo com ela, das três máquinas de captação de água do rio Batalha, apenas duas estão em funcionamento. Juntas, elas distribuem atualmente 435 litros de água por segundo. Se a situação estivesse normal, estariam distribuindo 550 litros por segundo.
Além disso, o nível do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de 42% da cidade, não ultrapassava ontem à tarde os 60 centímetros. Em períodos de estabilidade, o nível dele é de dois metros. “Continuamos enfrentando um período crítico. A população tem de economizar”, enfatiza Nilcéia.
Queixas
Segundo ela, antes do DAE anunciar o sistema de rodízio, cerca de 250 usuários procuravam a autarquia diariamente para reclamar da falta d’água. Ontem, no primeiro dia do esquema, cerca de 200 ligações dessa natureza foram registradas. Outros 200 telefonemas foram feitos por moradores que apresentaram dúvidas quanto ao sistema de revezamento.
Embora não tenha buscado esclarecimentos no DAE, a costureira Catarina Eschiapati, moradora do Jardim Paraíso, admite não ter entendido completamente o funcionamento do rodízio, que recebe sua reprovação. “Está tudo sujo. Acho que não deveria faltar água para ninguém”, diz. Até anteontem, quando faltava água na casa do filho dela, ele arrastava a família até a casa da mãe para garantir banho a todos.
Porém, como as duas casas foram incluídas no mesmo setor e enfrentam o desabastecimento no mesmo horário, a alternativa foi “por água abaixo”. Insatisfação também demonstrou Luiz Roberto Bernardino, morador da Vila Souto. Ele critica a divisão de horários por regiões. “Nos bairros ricos tem água durante o dia. Nós vamos ficar com as sobras. Teremos de fazer dois turnos (para colocar os trabalhos domésticos em dia)”, queixa-se.
O desapontamento foi grande porque, de acordo com o revezamento, o abastecimento no bairro onde ele mora deveria ser retomado ontem às 18h. Mas às 19h30, as torneiras da casa dele ainda estavam secas. Por outro lado, quatro moradores consultados pelo JC nas vilas Falcão e Nipônica, bairros do mesmo setor que a Vila Souto, não ficaram sem água nem durante o dia. As caixas d’água e o fato de alguns imóveis estarem situados em regiões baixas ajudaram.
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Previsão
O final de semana será marcado por chuvas fracas, mas nem sempre tão insignificantes como as de ontem. As temperaturas também continuarão estáveis em aproximadamente 22 graus até amanhã. Apesar das eleições, o clima só começará a esquentar a partir de segunda-feira, quando a nebulosidade diminuirá gradativamente, prevê o IPMet.
Chuvas de maior intensidade, que seriam suficientes para reverter a situação de rodízio no município, só devem cair a partir do dia 15. “O inverno é seco mesmo. Mas a primavera deste ano será 20% mais chuvosa que a média. O normal (para o período) é de 150 milímetros de chuva. Devemos ter 189 milímetros”, explica a meteorologista, Lúcia Gularte.
Enquanto o céu não deságua, Júlia Cristina Kenes, moradora do Jardim Jussara que ficou sem água ontem por causa do revezamento, já se deu por satisfeita com a chuva leve. Mesmo fraca, a precipitação baixou a poeira da rua da casa dela.
“Eu e meu marido temos rinite. Por isso, eu lavo a frente de casa uma vez ao dia. Ontem não deu para lavar, mas por sorte choveu”, comenta.