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Estupidez armada


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A evolução da humanidade sempre esteve diretamente associada à subversão da ordem natural. Antes que alguém interprete essa afirmação fora do contexto, é necessário comparar a evolução da civilização com o mundo animal: A “Lei da Selva” é natural e compreensível nesse meio - Lutamos, até, para restabelecê-la, contra nossos atos predatórios! -, mas é inadmissível no meio humano.

A evolução, portanto, é um processo de superação das limitações naturais e deficiências físicas. O problema, então, não é o emprego da razão, mas seu mau emprego.

O filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” tem uma cena emblemática: Um grupo de hominídeos é expulso de uma lagoa por outro, fisicamente superior. Lei da Selva. Posteriormente, pela recém-adquirida racionalidade, o grupo expulso, sedento e inconformado, realiza que o uso de uma “ferramenta” potencializava uma forma diferente de força, muito maior que a natural. Retornam, então, à lagoa e com suas clavas ósseas enfrentam e matam um dos mais fortes; com isso, intimidam e expulsam os invasores.

A partir daí, a evolução da engenhosidade humana permitiu que sobrepujássemos os obstáculos da natureza e nossas próprias limitações, para suprir nossas necessidades. Só que, para cada nova descoberta construtiva, uma legião de estúpidos, ávidos de poder e lucro, estabelecia formas destrutivas para seu uso.

Mas como os estúpidos chegam ao poder? Pela violência física, psicológica e religiosa. Nesse extenso rol de deturpações oportunistas e convenientes, os preconceitos, o poder bélico e a intransigência têm lugares de “honra”.

Uma arma nas mãos de um ser humano incorpora o mesmo maniqueísmo que persegue a humanidade, desde de sua origem: nas mãos de uns parecem proteger ou evitar que a violência os constranja, enquanto que nas mãos de outros são instrumentos de multiplicação dramática da capacidade de intimidação e opressão!

Paradoxalmente, quem ameaça com uma arma pode alegar legítima defesa, quando enfrentado, e transferir a culpa para a vítima! É óbvio que enfrentar uma arma não é racional, mas ser refém do medo não é uma sensação natural nem agradável.

E esse é o quadro que nos é apresentado todos os dias, na mídia e nas ruas: Criminosos bárbaros, sádicos e inconseqüentes; e cidadãos estupefatos, amedrontados e indefesos. As feras estão soltas, em todos os escalões da estupidez humana. O cidadão civilizado teme, se esconde ou paga para transitar pelo que paga para existir, e ainda é responsabilizado pelos crimes que sofre: “- A culpa é da sociedade!”.

Ora, se a culpa é da sociedade, então ela já está exageradamente punida, com a perda do fruto de seu trabalho, liberdade e, às vezes, da própria vida. O mesmo não se pode dizer sobre os criminosos. Resta-nos saber: Quando teremos nossos: hábeas corpus, sursis, defensores competentes, julgamentos justos, liberdade condicional e reintegração ao mundo civilizado?

O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é engenheiro, professor universitário e articulista

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