No início da década de 50, o folclórico e querido vereador José Ferreira de Menezes, semi-analfabeto, filiado ao PTB, nortista de fala arrastada e com forte sotaque, defendia entusiasticamente o direito do voto do analfabeto. A oposição ao PTB de Getúlio Vargas, a UDN, era visceralmente contra.
Em uma da sessões da Câmara Municipal de Bauru, o assunto veio à tona em discurso protagonizado por Ferreira de Menezes. “Senhor presidente e nobres colegas vereadores. Já dizia Rui Barbosa que a ignorância do povo é a ruína da Nação”, posicionamento de pronto considerado incoerente por adversários políticos.
Antes de Menezes terminar, um dos vereadores da oposição, filiado à UDN, não resistiu e pediu um aparte. “Mas excelência, seu partido, o PTB, não é a favor do voto do analfabeto?”, questionou.
Menezes respondeu: “Não só o meu partido. Eu também, particularmente, sou a favor”, reforçou. O mesmo vereador udenista insistiu: “Mas o senhor não acabou de dizer que a ignorância de um povo é a ruína da Nação? Como é que o senhor, então, pode ser a favor do voto do analfabeto?”, questionou o udenista. Ferreira Menezes respondeu, após pensar alguns segundos: “Não , o senhor está enganado. Eu não disse nada. O que eu contei neste microfone foi o que o Rui Barbosa falou...” Só restou ao plenário cair em gargalhadas.
História relatada por Geraldo Scarabotto