No mundo moderno, o a língua inglesa já ultrapassou o patamar de “necessária” e se torna cada vez mais obrigatória para universitários e profissionais do século 21. Mesmo após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e tensão generalizada a que os Estados Unidos foram submetidos, o país continua sendo o principal destino dos intercambiários, ao lado do Canadá. Ao todo, estima-se que o Brasil “exporte” cerca de 40 mil estudantes por ano.
No ano passado, apenas o consulado americano de São Paulo concedeu cerca de 4.900 vistos de estudantes, enquanto 4.782 vistos foram emitidos para brasileiros que foram para o Canadá. Entretanto, o número de brasileiros que estudam no Canadá é maior já que muitos ingressam no país como turistas – que não requer autorização para permanência menor que seis meses.
Outros países como Austrália, Nova Zelândia ou mesmo a velha Inglaterra atraem também um número expressivo de intercambiários interessados na língua inglesa. No entanto, esses países têm um ponto contra si: o preço dos programas.
De acordo com Luiz Henrique do Carmo, agente de viagens e de programas de intercâmbio em Bauru, o período de seis meses nos Estados Unidos para estudantes do ensino médio fica em torno de U$ 4 mil. Já nos outros países, o total pode ultrapassar U$ 8 mil. Além disso, as passagens aéreas para os Estados Unidos custam cerca de U$ 800, enquanto para a Europa ou Austrália têm valores acima de U$ 1.400.
“As famílias americanas não recebem dinheiro pelo intercâmbio, elas têm incentivos no imposto de renda, enquanto que nos outros países, o estrangeiro paga por sua estadia”, explica Carmo.
High School
Os programas de intercâmbio para High School são destinados para adolescentes entre 15 e 18 anos que estejam cursando o ensino médio no Brasil. Neste caso, os Estados Unidos ainda são o principal destino dos viajantes. “Antigamente, o intuito deste programa era para o adolescente aprender inglês. Hoje, ele precisa de um conhecimento intermediário porque vai ter de estudar. Vai ter de sentar na sala de aula e entender o que o professor diz, falar e tomar notas”, aponta o agente.
Na escola, o estudante é obrigado a seguir um número mínimo de disciplinas, que incluem língua ou literatura inglesa, ciências (física, química ou biologia), matemática (álgebra, geometria ou trigonometria), história, geografia e educação física.
A estudante Giovanna Szizzero Beneti, 17 anos, viajou no início do ano para o estado de Nova York, onde ficou hospedada com uma família para fazer o programa de High School. Ela conta que o intercâmbio de seis meses foi uma experiência de muito crescimento. “A viagem permite que você cresça, aprenda a se virar, faça as coisas sozinha e também conheça coisas que não conseguiria fazer no Brasil. Além de aprender bem a língua, que você só aprende mesmo falando todos os dias”, diz.
Para Giovanna, os primeiros dias em uma casa estranha foram os mais complicados, até que ela se acostumou com a idéia de que aquela era sua casa e que ela tinha liberdade ali. “É estranho até você se adaptar e ver que pode abrir a geladeira, por exemplo. Você está com pessoas que não conhece, mas tem que se esforçar para se acostumar”, ressalta.
Normalmente, os programas de High School enviam os intercambiários nos meses de janeiro e agosto, coincidentes com os inícios de semestre e ano letivo americanos, respectivamente. Carmo recomenda que os interessados comecem a preparar sua documentação cerca de seis meses antes, para que uma vaga na escola seja garantida.
Curso e estágio
Para os que já ultrapassaram os 18 anos, há programas voltados para universitários e recém-graduados, com estágios remunerados em empresas da área de atuação do intercambiário. Universitários ou recém-formados (até dois anos) podem escolher um programa de estágio remunerado, em empresa de sua área de formação ou de trabalho. A duração dos programas varia de seis a 18 meses e se exige inglês avançado. Os custos ficam entre U$ 2.900 (para seis meses) e U$ 3.900 (para 18 meses).
“O salário que o estagiário recebe é suficiente para ele se manter e ainda recuperar o investimento”, comenta Carmo.
Esse foi o programa escolhido por Gustavo Duarte, 26 anos, formado em comércio exterior e que trabalhou por seis meses em uma lanchonete do McDonald’s do estado de Maryland. “Consegui agregar estudo em escola pública, onde estudava inglês, com uma experiência de trabalho”, observa.
Além dos programas oferecidos por agências de intercâmbio, os interessados em passar por uma experiência de estudo e estágio fora do Brasil podem recorrer a programas específicos das universidades e clubes de serviço, como o Rotary, que oferecem oportunidades mais baratas.
• Serviço
Outras informações sobre programas de intercâmbio em http://noticias. uol.com.br/educacao/cursosnoexterior