Politicando

Visita surpresa


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No tempo em que era permitido boca-de-urna, todo candidato tinha de ter seu pequeno exército. Nós tínhamos um grupo de 60 adultos convenientemente “fardados”. Um chefe escoteiro se encarregou de preparar-lhes uma ração “fria”, que constava de 2 sanduíches, uma maçã, uma laranja descascada, um litro de suco de laranja e um chocolate. Depois, alguns línguas-pretas andaram espalhando que nós dávamos apenas pão e água. No dia da eleição o pessoal começa a chegar de madrugada.

É natural que 60 adultos conversando façam algum barulho. Quando eram 6 da manhã, com quase tudo pronto, com todos eles escalados, cada qual para uma escola, prontos para sair, tocam a campainha. Um cabo eleitoral foi atender e voltou branco. - Dr. Rui, é o juiz eleitoral que quer falar com o senhor.

Todo mundo ficou petrificado. Será que havia alguma impugnação? Teríamos cometido alguma irregularidade?

De repente, porta adentro entra o nosso vizinho, dr. Euclydes Calil. Com sua tradicional calma e bom humor, nos cumprimenta e passa a examinar o conteúdo das sacolas . E percebendo nossa tensão, diz: Não, calma! Eu só queria saber como se sente um candidato no dia da eleição. Depois, despediu-se de todos e, ao sair, me diz: -Arranje um chapeuzinho para eles. O sol vai estar quente e eles correm risco de insolação.

Bendito seja todo aquele que o relembre, caro amigo! A ferida que, com sua partida, você deixou na comunidade ainda não está cicatrizada! E não estará tão cedo !

Relatada por Rui Bertoti

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