“Como sempre costumo dizer quando escrevo das pescarias feitas no Pantanal, cada uma delas não é igual a outra. Isso porque o ‘santuário’ das águas matogrossenses sempre reserva surpresas. E, como não podia deixar de ser, em minha última pescaria passei por uma aventura inesquecível.
Eu, meu companheiro de pesca, o jornalista José Henrique Senche, da Folha da Região, de Araçatuba (SP), e o piloteiro, que tem o apelido de Paulista, pescávamos calmamente com o barco apoiado nos aguapés à beira do rio Paraguai. Em determinado momento, o anzol do piloteiro enroscou e ele pediu para recolhermos a linha a fim de ligar o barco para desenroscá-la.
Foi quando o meu anzol também enroscou na vegetação próxima ao barco e o piloteiro resolveu livrar a minha primeiro. Funcionou o motor e posicionou a embarcação para puxar a linha. De repente, o José Henrique me chama, com os olhos arregalados e assustado, e fala: “Cara, isso é barulho de onça”. À primeira vista, achei que fosse brincadeira, mas fizemos silêncio, enquanto o piloteiro, ocupado com a linha, nem ligava para nossa conversa.
Imediatamente, ouvi um rugido forte, característico de onça pintada. Vi que não era brincadeira e, segundos depois, ouvimos outro rugido do animal, que certamente nos espreitava próximo à uma enorme árvore com raízes imensas, o único local que não podíamos enxergar com exatidão.
Rapidamente, avisamos o piloteiro, que não teve dúvidas: cortou as linhas, acionou o motor do barco e rapidamente nos afastou dali, pois sabia que com onça não se brinca. Longe dali, demos risada do episódio, mas que deu medo, ah isso deu...”
Marcelo Ferrazoli é jornalista, pescador e contador de histórias