O Dia da Criança está aí e você já começa a olhar o canhoto do cheque. Enquanto isso, a molecada arregala os olhos, engolindo as ofertas: é boneca que faz xixi no colo, é game que sai voando da tela do computador, é patim que acende enquanto roda, é castelo com princesa, passeio no Hoppi Hari, Beto Carrero... E a patroa contando trocado na cozinha: “Bem, tem que comprar um presentinho pro seu afilhado, hein?” Ah... ainda tem os filhos dos outros... e os marmanjos!
Dá saudade do tempo em que a gente escolhia os presentes e o pai é que não dormia à noite. Vá você pensar em esquecer a meninada. Até filho adolescente volta a ser criança pra ganhar presente e ainda escolhe piercing, tatuagem e telefone celular. Aí o problema é maior. Pois o bendito do brinquedo não sai mais do corpo e continua gerando mais despesa para você pagar, fora as encrencas...
Tá ruim, mas tá bom... Fazer o quê? Ter filhos é ter contas para acertar lá no céu (um dia... agora, não!). Então, vamos à procura do presente. A correria para descer na cidade, a filharada de banho tomado, a mulher que vai fazendo pesquisa na frente, a choradeira quando a oferta não tem. O sol subindo, o saldo descendo, o Calçadão fervendo e o menor que se perde procurando o tal do brinquedo que não existe. É Dia da Criança! Depois, é só alegria. Feriado, os adultos ganham um presentão e ficam de papo pro ar vendo as crianças destruindo a casa com as novas aquisições. E, no fim, fica aquele gosto amargo na boca: será que o dinheiro vai dar? Bem, amanhã eu vejo... isso se o banco não entrar em greve de novo. Não poderia ser muito pior? Já pensou, você com a carteira vazia na véspera do dia? É... tá ruim, mas tá bom!
Elias Janeiro - presidente da Associação dos Moradores do Jardim Petrópolis