Economia & Negócios

Comércio antecipa vendas de Natal

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Faltando ainda mais de dois meses para o Natal, comerciantes de Bauru já começam a apostar no potencial de vendas da data, a mais importante do ano para o setor. Em muitas lojas, panetones e outros produtos natalinos estão presentes nas prateleiras, atraindo a atenção do consumidor.

O comerciante José Losnak conta que nas últimas semanas vendeu cerca de 200 panetones em sua padaria. Ontem, ele colocou mais 50 unidades à disposição dos clientes. “Logo depois da Páscoa, as pessoas já começaram a perguntar quando é que a gente começaria a disponibilizar esse tipo de produto”, relata.

Segundo ele, as vendas estão sendo impulsionadas pelas novas gerações. “Principalmente pelos jovens, que estão saindo do tradicional e antecipando o consumo. Quem ainda procura o panetone apenas na época do Natal são basicamente os mais velhos”, conta.

Losnak acredita que, no caso do panetone, a tendência é que o produto seja vendido cada vez com mais antecedência. “Nas grandes redes de supermercado ele passou a ficar o ano inteiro no balcão”, argumenta.

O responsável pelo setor de compras de perecíveis de uma rede de supermercados de Bauru, Pedro Sérgio Baptista, afirma que a empresa já está promovendo a aquisição de peru, chester e outros itens do gênero. “Fazemos isso porque as pessoas têm antecipado a compra e até mesmo consumido antes”, destaca.

Segundo ele, a indústria também vem se adaptando a essa tendência. “Ela já está preparada para as vendas não sazonais”, diz.

Além de outros supermercados e padarias que também já apostam na atração da clientela com uma série de produtos visando o Natal, no Centro da cidade já se pode encontrar algumas lojas comercializando artigos de decoração típicos do período de final de ano.

“Eu gosto de sempre enfeitar bastante minha árvore de Natal e a casa toda no final do ano. Já comecei a pesquisar novas opções e preços para enfeitar a casa”, comenta a dona de casa Edna Sanas.

Para o analista de marketing Thomas Freitas, os comerciantes têm procurado induzir os clientes a fazer a antecipação das compras. “Eles buscam rechear os períodos em que não há estímulo comercial”, destaca.

Ele acredita que a situação econômica do País também interfere no processo. “O poder de consumo do brasileiro caiu 20% nos últimos dois anos e isso provoca uma ansiedade prematura no consumidor”, comenta.

Freitas não vê problemas nessa antecipação das vendas. “Defendo que o consumo deveria ser mais distribuído ao longo do ano, e não concentrado em datas como o Dia das Mães e o Natal”, justifica.

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