A pequena Silmara Correia da Silva, 12 anos, adiou a cirurgia cardíaca por 12 anos. Ela conta que a família recebeu o diagnóstico de cardiopatia congênica pouco tempo após o parto. Na época, os médicos já indicavam a cirurgia.
“Mas minha mãe não deixou que me operassem. Ela tinha medo. Passei todos esses anos tomando remédios, só que o problema continuou evoluindo”, conta.
O médico Rossano César Bonatto explica que Silmara tinha uma alteração anatômica que mantinha uma quantidade exagerada de sangue dentro do coração e dos pulmões.
Além de sobrecarregar esses órgãos, isso reduzia a oxigenação de outras partes do corpo.
“Eu tinha que viver tomando remédio, não podia brincar, era proibida de fazer educação física na escola e não podia ir ao campo com minhas amigas porque não conseguia correr, não podia andar muito, não podia subir escadas. Era muito ruim”, conta.
Com a morte da mãe, há quatro anos, e com a evolução do problema, a família acabou recorrendo ao Hospital das Clínicas de Botucatu. A madrasta da menina, Adriana Aparecida Barbosa, comenta que foi muito difícil convencer o pai de Silmara a autorizar a cirurgia. “Ele só concordou quando soube que o risco da operação era muito menor que o da doença”, afirma.
Segundo o cardiologista, com o tempo, o acúmulo de sangue no coração faria dilatar e enfraquecer o músculo cardíaco. E nos pulmões, o sangue causaria hipertensão pulmonar. “Lá na frente, ela poderia ter de fazer um transplante de coração e pulmão - uma cirurgia muito mais complexa e arriscada que a que ela teve de fazer agora”, explica Bonatto.
Uma semana depois de operada, Silmara afirma que só quer voltar para casa e poder brincar, como todos os amigos de sua idade.