Saúde

SUS terá banco de cordão umbilical

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O anúncio da implantação no Brasil de uma rede pública de bancos de sangue de cordão umbilical está trazendo novas perspectivas de tratamento para uma infinidade de doenças. A Brasilcord – como foi chamada a rede - vai armazenar células-tronco de recémnascidos. Estudos recentes mostraram que essas células podem se transformar em qualquer outra célula do organismo, o que permite a regeneração de áreas danificadas e doentes do corpo humano.

De acordo com a Agência Saúde, a Brasilcord vai criar uma rede de dez bancos públicos de sangue de cordão umbilicaal no País. Serão gastos R$ 9 milhões por ano para o investimento nessa rede e mais R$ 28 milhões no primeiro ano em manutenção. Nos anos seguintes, este custo deverá cair para R$ 14 milhões.

A meta do governo é armazenar 50 mil cordões para atender à demanda de crianças e adultos, pois uma amostra serve apenas para uma pessoa de até 50 quilos. O ministério estima que, em cinco anos, a rede já contará com 20 mil cordões armazenados.Oarmazenamento de cada unidade está orçado em R$ 7 mil por ano.

O governo informa que os novos bancos serão instalados em hemocentros públicos já existentes, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras. Foram selecionadas as cidades de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Os bancos do Instituto Nacional do Cancer (Inca), no Rio de Janeiro, e do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, já estão prontos para funcionar, segundo o ministério.

Doação

Uma campanha publicitária deverá ser lançada em breve para orientar a população sobre a doação. Segundo a Agência Saúde, os critérios para captação do cordão umbilical são os mesmos estabelecidos para a doação de sangue. A mãe tem que ser saudável, não pode apresentar nenhuma infecção sangüínea.

Nem todas as unidades são aproveitadas, apenas as que apresentam um bom volume de sangue ou uma contagem adequada de células. Após a coleta, o material passa por uma separação e as célulastronco são congeladas em tanques de nitrogênio líquido a uma temperatura inferior a 180 graus negativos. Desta forma, as células podem ser armazenadas por até 20 anos.

O ministério salienta que, ao fazer a doação, o banco não tem a obrigação de garantir a disponibilidade daquelas celulas-tronco para seus próprios doadores, caso eles necessitem. “A doação do sangue de cordão é semelhante à doação de sangue: você doa material para qualquer pessoa que estiver precisando. A doação não é direcionada”, informa a Agência Saúde.

Perspectivas

Estudos recentes têm demonstrado que o sangue do cordão umbilical pode ser usado em substituição ao da medula, nos transplantes. Segundo o diretor de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Arthur Chioro, até agora, o único uso terapêutico garantido do sangue de cordão é em pacientes com leucemia e outras doenças do hematológicas.

Para o ministério, a criação dos bancos de sangue vai permitir a realização de vários estudos nas áreas de biologia molecular, imunologia e genética. De cada dez captações feitas pelos bancos de cordão umbilical, sete serão utilizados em pesquisas.

Acredita-se que, por meio das células-tronco, seja possível regenerar uma infinidade de outras células do corpo humano, o que torna esses estudos extremamente promissores e importantes para o futuro da medicina mundial. E o Brasil já tem alguns resultados positivos para contar.

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