Depois de uma maratona de entrevistas e debates nos veículos de comunicação e de dezenas de reuniões pela cidade, os candidatos a prefeito por Bauru no segundo turno, que será realizado pela primeira vez na história da cidade, ainda não aprofundaram vários temas de governo. Em mais uma entrevista para a série Café com Política, Caio Coube (PSDB) volta a defender um plano misto para melhorar o setor da saúde em Bauru, com gerenciamento independente de hospitais, entre outras propostas, como médico de família, programas de medicina preventiva e o investimento na melhoria do funcionamento das unidades básicas de saúde. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Qual sua opinião sobre a rejeição da coordenação de sua campanha ao apoio da atual administração?
Caio Coube - Eu acho que o que foi dito pelo Marcelo Borges tem de ser contextualizado. Eu acho que o que ele quis dizer é que nós realmente temos uma proposta de mudança, nós temos uma proposta de renovação, nós temos uma proposta de um novo estilo de liderança política, de um novo modelo de gestão pública. Então, aqueles que vierem conosco são as pessoas que realmente entendem que estas mudanças precisam acontecer, aqueles que entendem que, em certo sentido, é preciso uma ruptura. Todas as pessoas, todos os agentes políticos que tiverem esse entendimento, que tiverem essa percepção e convicção da necessidade de mudança e que estiverem de acordo com as nossas propostas, são bem-vindos à frente Muda Bauru.
JC - Como mudar com partidos assistencialistas dando apoio?
Caio - Penso que a política é muito dinâmica. Veja o que está acontecendo em São Paulo, onde o presidente nacional do PT, José Genoíno, afirma categoricamente que quer o apoio de Paulo Maluf e de seus eleitores, os malufistas. Maluf, que foi no passado um adversário histórico do PT, nesse momento deixou de ser. São coisas da política, são coisas da dinâmica do processo político. Em relação à questão de outros partidos estarem nos apoiando, isso já aconteceu na primeira fase, e acho que aconteceu exatamente porque entenderam essa necessidade de mudança, entenderam que o momento político e administrativo de Bauru, o que aconteceu nos últimos 20 anos de administração pública e nos últimos oito anos em termos de instabilidade política, confusão, turbulência, precisa de mudança, precisa exatamente de um novo cenário.
JC - Qual é o seu modelo de gestão na saúde?
Caio - Bom, eu reitero a posição que tive aqui na nossa entrevista na primeira fase, de que esse assunto precisa ser debatido e discutido com mais profundidade, ouvindo as diferentes correntes de opinião em relação a essa questão específica da gestão plena de saúde pelo município. O que nós tivemos oportunidade de apresentar na campanha foram algumas de nossas propostas para a melhoria do serviço público de saúde em Bauru, que é uma grande aspiração da população. Então, entre essas propostas estão o médico de família, os programas de medicina preventiva, o investimento na melhoria do funcionamento das unidades básicas de saúde, os chamados núcleos de saúde, as melhorias das condições de funcionamento dos Pronto-Socorros nos bairros, no Mary Dota, no Ipiranga, no Bela Vista, e também está a nossa proposta de instalar um novo Pronto-Socorro na região do Geisel e Redentor, junto ao Hospital Estadual. Além disso, há a proposta da central de ambulâncias. Então, eu acredito que essas propostas são importantes.
JC - O atendimento básico de saúde do senhor está claro no programa. O que está faltando deixar mais claro é a questão da rede na chamada municipalização, o papel dos hospitais.
Caio - Eu acredito que a rede hospitalar bauruense vem, eu repito, fazendo a sua parte e prestando um bom serviço à população. E já existe uma vocação para cada uma das entidades. O Hospital de Base é um hospital mais generalista, especializado também no pronto-atendimento. A Maternidade Santa Izabel tem essa vocação para os serviços na área de ginecologia, o Manoel de Abreu está se encaminhando para a especialização na área de oncologia. Então, eu acredito que dessa forma a rede está funcionando relativamente bem e, repito, fazendo a sua parte, cumprindo o seu papel em relação ao atendimento à população.
JC - Por que o senhor quer trocar os radares pelas lombadas eletrônicas?
Caio - Porque a lombada é uma questão visível, ou seja, a lombada avisa o que vai acontecer, ao passo que o radar é uma pegadinha. O radar fica escondidinho procurando pegar o motorista desprevenido. Então, nós não concordamos com a pegadinha, nós não concordamos com o radar escondidinho. Nós queremos, até mesmo pela transparência que teremos em toda a nossa administração, não a transparência, mas a evidência de que à frente existe uma sinalização, através exatamente daquele toque no sentido de que naquela área é exigida uma redução de velocidade. Isso nós faremos. Iremos desativar todos os radares e, quando necessário, substituí-los por lombadas eletrônicas para beneficiar a população, para que a população não seja alvo dessas armadilhas.
JC - Das 21 mil autuações eletrônicas de 2003, 80% foram aplicadas por radares. Como tapar esse buraco financeiro do setor de trânsito na Emdurb?
Caio - Mas isso é uma inversão total de valores, de princípios e de filosofia de trabalho. Nós não podemos aceitar como natural a armadilha do radar ser um instrumento que gera o equilíbrio financeiro no caso da autarquia. Isso é um absurdo. Nós não concordamos em hipótese alguma. Daí vem o termo indústria da multa, e nós não podemos compactuar em hipótese alguma com essa situação. Nós assumimos o compromisso de que não temos interesse em multar as pessoas.
JC - Que papel terá a Emdurb na gestão do senhor?
Caio - Nós temos que aprofundar, fazer um olhar crítico e ver a vocação de cada autarquia e quais os serviços que realmente ela possui, competência, conhecimento, quadros técnicos, equipes habilitadas para fazer esse trabalho. Então, a Emdurb tem essa questão do trânsito, tem a questão do lixo, tem a questão da fábrica de placas que pode ser mais utilizada para melhorar a sinalização da nossa cidade, enfim, são questões exatamente administrativas, para as quais é preciso colocar um olhar mais crítico, promover uma discussão.
JC - Qual é a reestruturação administrativa do DAE que está no seu plano de governo?
Caio - Essa proposta foi elaborada com a colaboração do professor Anésio Imperador, que já ocupou a presidência do DAE e que nesse aspecto específico dos meus compromissos de governo pode me assessorar. A idéia é mais ou menos a mesma em relação à pergunta anterior, em relação à Emdurb. É você ter um olhar crítico, se debruçar sobre a atual estrutura administrativa, pois me parece que são sete diretorias, enfim, é preciso entrar no mérito de cada uma delas, entrar no mérito da necessidade de cada uma, da mesma forma que vale para as atuais 14 secretarias de governo da Prefeitura Municipal. Já com relação a manter a atual condição jurídica de autarquia do DAE, eu quero deixar absolutamente tranqüila toda a população bauruense de que não vai haver nenhuma mudança, nenhuma alteração nessa figura jurídica e que o DAE vai permanecer da forma como sempre foi: é uma autarquia que pertence à administração pública, que pertence à Prefeitura Municipal de Bauru e que presta um bom serviço à população com uma tarifa de água e esgoto econômica.
JC - Qual é a sua proposta para a revisão do atual modelo de concessão do transporte coletivo?
Caio - Uma das questões que nós podemos levar em conta, e que inclusive já tivemos oportunidade de discutir, é que na realidade as três empresas concessionárias do transporte coletivo em Bauru são propriedade do mesmo dono, do mesmo grupo. Então, nós podemos, por exemplo, facilitar os custos operacionais dessas três empresas transformando-as em uma única empresa e transferir para o preço da passagem. Ou seja, podemos reduzir o preço da passagem. É essa redução de custo operacional que, no caso, esse grupo de transporte terá a partir da diminuição do número de empresas. Esta, por exemplo, é uma idéia criativa, uma idéia inovadora, é um olhar diferente sobre o modelo que está funcionando atualmente em Bauru e com vantagens e benefícios para os usuários, para a população que necessita do transporte coletivo.
JC - E o sistema de compensação da tarifa?
Caio - Eu acho que a gente pode rever e abrir uma discussão em relação a essa questão da remuneração do prestador de serviço, de acordo com os quilômetros rodados, independentemente do número de passagens vendidas. Então, eu acho que isso, em alguns casos, tem provocado prejuízo para a prefeitura. Portanto, eu gostaria, sim, de discutir essa questão e buscar uma posição que seja mais favorável para o município. Isso tornaria possível diminuir esse prejuízo que a cidade vem sofrendo com a aplicação do atual modelo.
JC - Qual será o tamanho da Cohab, já que o senhor quer parceria com a CDHU?
Caio - Olha, nós afirmamos e reafirmamos essa questão de que hoje, no Estado de São Paulo, a CDHU é uma grande ferramenta, é uma ótima alternativa para a construção de moradias populares com valores de prestações bastante acessíveis, ao redor de R$ 39,00. Mas nós afirmamos aqui nesse momento que isso também pode e deverá ser feito em parceria com a Cohab, porque tem de ser feito em parceria com a prefeitura. Ela vai continuar realizando esse trabalho de administração de contrato, e ao termo dessa possibilidade de parceria com a CDHU ela poderá prestar um serviço, poderá contribuir com o conhecimento e a competência do seu quadro funcional para que possamos ter em Bauu o que nós não temos tido, que é um programa de construção de moradias populares para que a população de baixa renda possa ter condições de moradia mais dignas.
JC - Qual é a meta real de asfalto para seu governo?
Caio - Eu não tenho realmente ainda um número para estar aqui apresentando e mencionando. Eu tenho um objetivo, aliás, tenho muito mais do que um objetivo, eu tenho um sentimento em meu coração que é o de melhorar a condição de vida dos bairros da periferia de Bauru que não possuem asfalto. Então, estou falando de áreas grandes, de bairros grandes como a Pousada da Esperança 1e 2, o Ferradura Mirim, o Tangarás, o Jardim Solange, o Parque City, o Fortunato, como alguns setores do Parque Jaraguá. Recentemente, o secretário de Transportes do governo do Estado esteve em nossa cidade e o deputado Pedro Tobias fez exatamente isso, fez uma corrida pelos bairros da periferia para mostrar a situação desses setores da cidade de forma a sensibilizar o secretário. Da mesma forma, nós iremos levar esse pleito da comunidade de Bauru ao governador do Estado e também ao governo federal, ao vice-presidente da República, ao presidente da República, ao Ministério das Cidades, para que Bauru tenha a ajuda de outras instâncias governamentais para que a gente possa somar esforços com os recursos humanos, materiais da prefeitura.
JC - Qual é seu programa de reestruturação da máquina?
Caio - Eu quero deixar bem claro aqui alguns conceitos. Administração, seja ela pública ou privada, é essencialmente fazer com que as coisas funcionem, fazer com que as coisas aconteçam. Em termos de administração pública, nós temos um contingente grande de funcionários públicos, temos 14 secretarias e, portanto, temos muito trabalho. O que eu quero dizer é que nós precisamos transformar todos os recursos que temos à disposição na administração pública, os recursos humanos, os recursos materiais e os recursos financeiros, que não são muitos. Precisamos transformar isso em ações, em práticas, em realizações, em resultados que melhorem a condição de vida e o funcionamento das funções públicas na nossa cidade.
JC - E a estrutura, a fusão de secretarias?
Caio - Nem eu e nem o meu adversário possuímos essa informação. Eu tenho visto, inclusive, a aflição do meu adversário, que também é a minha aflição, no sentido de conhecer melhor, de ter uma radiografia mais clara, exatamente esse desenho, esse organograma, essa definição do contingente em cada uma das secretarias, dos recursos materiais e dos equipamentos para que realmente seja possível definir. Nós vamos buscar a eficiência. Na nossa última entrevista, discutimos o conceito das administrações regionais, em que eu tive oportunidade de afirmar aos leitores a minha posição de que, em princípio, entendo como muito interessante o conceito da administração regional, que é a descentralização dos serviços essenciais da prefeitura. Ou seja, isso significa estar próximo dos bairros, estar próximo de onde o problema acontece para que, a partir desta proximidade, seja possível trabalhar com rapidez, com agilidade.