O primeiro concerto de primavera realizado no teatro Veritas da Universidade do Sagrado Coração, no dia 25 de setembro deste ano de 2004, foi uma ocasião de orgulho para a comunidade artística da região. Os músicos, cantores e bailarinos encantaram o seleto público que compareceu ao espetáculo.
A primeira peça foi o Concerto em Ré Maior para piano e orquestra de Franz Joseph Haydn, tendo como solista a jovem pianista Silvia Carvalho Molan. Esta pianista de apenas 14 anos tem potencial de se tornar uma das grandes estrelas da música erudita do Brasil. Apesar de sua tenra idade, ela enfrentou os desafios dessa peça consagrada com maturidade, talento e sensibilidade.
Nas passagens ligeiras do primeiro movimento, Allegro Vivace, Silvia demonstrou firmeza, técnica brilhante e dinâmica muito bem controlada. No segundo movimento, Um poco adágio, Silvia demonstrou bastante amadurecimento e sentimento na interpretação da melodia do diálogo entre a orquestra e o instrumento de solo. Haydn concentrou no terceiro movimento, Allegro Assai - Rondo All’ Ungherese, as dificuldades pianísticas para oferecer ao solista uma oportunidade de demonstrar o seu virtuosismo.
Silvinha soube utilizar essa oportunidade e da mesma maneira que enfrentou a cadenza do primeiro movimento, que foi escrita por Beethoven, com grande brilho e sonoridade apesar do piano estar um pouco desafinado. Durante a interpretação houve alguns pequenos desencontros entre a orquestra e a solista o que demonstrou ainda mais a maturidade tanto da orquestra como da solista em ultrapassar pequenos incidentes e preservar o conteúdo geral.
Infelizmente faltaram alguns dos componentes importantes da orquestra, o que prejudicou um pouco o resultado, principalmente na execução da Suíte de Bach. O Romanze em Fá de Beethoven tendo Luciano F. Manduca, o spalla da orquestra, como solista agradou muito pelo romantismo e sonoridade. Manduca consegue extrair uma sonoridade muito agradável do violino, esse instrumento tão lírico e exigente daquele que o toca. A Abertura da Ópera Salvador Rosa de Carlos Gomes, como não podia deixar de ser, encantou todos os presentes. O maestro dr. Marcos Virmond está de parabéns, ele está conseguindo aqui em Bauru, com pouquíssimos recursos, aquilo que outras orquestras sinfônicas como a de São Paulo, a de Sacramento na Califórnia e outras orquestras de sucesso conseguem com vastos incentivos financeiros.
Na segunda parte tivemos a apresentação do Madrigal Anima da Universidade do Sagrado Coração. Este madrigal composto de excelentes cantores sob a direção do talentoso maestro Irandi Fernando Daroz e mais a colaboração da grande pianista Rosa Maria Tolon, que por sinal é a professora da pianista Silvia Carvalho Molan, apresentou um programa impecável. A primeira peça, An Die Musik opus 8 número 4, de Schubert, tendo como solistas Beatriz Gomes Carreira (soprano), Magda Lusvarghi Buschi (mezzo soprano), Alexandre Rodrigo Schwingel (tenor), Luiz Fernando Tosi (baixo) e Irandi Fernando Daroz (piano) foi uma música muito suave e agradável capaz de transportar a audiência a uma bucólica paisagem alemã.
A segunda peça, Sechs Quartette opus 112, de Brahms, revelou o grande talento desse Madrigal. A complementação entre a dificílima parte do piano interpretada com grande maestria pela pianista Rosa Maria Tolon e o afinadíssimo madrigal foi total. Senti a mesma emoção de quando tive a oportunidade de assistir o Robert Shaw Coral em Carmel na Califórnia. A qualidade do Madrigal Anima é tal que certamente pode se apresentar em qualquer centro mundial de música que sem dúvida nenhuma vai ser muito admirado e aplaudido.
A terceira parte esteve a cargo do nosso querido Ballet Victoria Regia dirigido pela maravilhosa dupla Dalva Corrêa e sua talentosa filha, a consagrada bailarina Márcia Nuriah que recentemente encantou o exigente público argentino com o seu grande conhecimento da dança do oriente médio. Como não podia deixar de ser o Ballet Victoria Regia tem a magia de nos transportar a outras dimensões onde o sonho se torna realidade.
Houve apenas uma falha grave neste festival, e esta falta eu assumo completamente, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa! Devido a dificuldades logísticas e de comunicação. eu deixei de agradecer a colaboração indispensável da minha grande amiga Ju Machado, cujo trabalho maravilhoso vem enriquecendo cada dia mais o nosso cenário cultural através do projeto Vivaldi, Quintas Culturais, Exposições de pinturas etc. Também deixei de reconhecer o papel crucial da firma MultiService e Fundação Veritas. Tive também de cancelar a exposição de flores que havia planejado para a ocasião. Peço desculpa a todos aqueles que decepcionei, espero poder servir melhor no futuro e que minhas falhas não venham prejudicar o andamento do meu sonho de um dia termos em Bauru o Festival Internacional de Música Erudita da Região São Paulo Centro (Spring - Fall Festival of the Hemispheres). (Benedito S. Guedes de Azevedo)