Bairros

População diverge sobre lideranças

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Outros acreditam que interesses

pessoais não devem

pesar na hora da escolha, mas

sim critérios coletivos.

Muitos dos que optam pelo

candidato do bairro imaginam

que, se eleito, ele poderá

trabalhar para solucionar ou

amenizar as diversas carências

locais, principalmente na

periferia da cidade.

É o caso do aposentado

Waldemar Bento, do Jardim

Tangarás. “Nós temos candidato

aqui. Então eu vou votar no

candidato do bairro. Ele vai

ajudar muito o bairro. E o resto

da cidade também. Acho

que ele pode ajudar a nossa região”,

reforça o morador.

De acordo com Bento, o

candidato do bairro - atual presidente

da Associação de Moradores

do Jardim Tangarás,

Zaqueu Vieira da Silva -, ajudou

a comunidade quando foi

descoberta a contaminação

por chumbo provocada pela

fábrica de baterias Ajax.

“Ele está dando a maior força

para a gente. Quando tivemos

aquele problema do chumbo,

ele lutou por nós. Então

agora também estamos colaborando

com ele. Eu acho que

ele é umcara muito legal. Quase

todo mundo do bairro deve

votar nele”, argumenta Bento.

A comerciante Teresa Gagliard

Hara, outra moradora

do bairro, concorda. “Eu acho

que faz diferença e a gente

tem de votar no vereador do

nosso bairro. Um vereador de

outro lugar não vai se empenhar

em nos ajudar”, avalia.

Na opinião de Teresa, tendo

um vereador no bairro a

cobrança de medidas é facilitada.

“Sendo morador, mesmo

que você não o conheça,

a pessoa torna-se mais acessível”,

diz.

José Pedro Nunes não escolheu

um membro da associação

de moradores do bairro,

mas uma pessoa que tem

empresa no local. “Ele tem

propriedade e oficina aqui.

Ele se interessa pelo bairro,

ajudaria e poderia beneficiálo.

Acho que não teria problema.

Eu o conheço há muitos

anos e acho que é uma

pessoa que trabalharia por

nós”, insiste.

Rita de Cássia Salgado,

moradora do Núcleo Geisel,

também defende as lideranças

de bairro nas eleições.

“Eu votaria em alguém do

bairro porque seria mais fácil

fazer uma cobrança do que

ele prometeu para a gente.

Também pela possibilidade

dele fazer uma melhoria para

o local”, justifica.

Por outro lado, Rita entende

a posição daqueles que defendem

candidatos que conhecem

a realidade da cidade como

um todo. “A gente está

pensando só no nosso bairro.

Mas a gente teria de pensar

em um vereador que realmente

fizesse alguma coisa por

Bauru, que está precisando.

Se a nossa cidade tiver melhorias,

nosso bairro também será

beneficiado”, ressalva.

João Delvo de Oliveira

também é a favor das lideranças

comunitárias. “Acho que

tem de ser do bairro. Sendo assim,

ele vai fazer alguma coisa

boa para a gente. Não adianta

votar em alguém da Bela

Vista”, acredita.

Contrários

Nem todos pensam assim.

Prova disso é que os candidatos

que representam bairros

específicos não foram eleitos

no dia 3 de outubro.

Renata Cazo, moradora do

Núcleo Geisel, garante que a

proximidade do candidato

nunca pesou na hora do voto.

“A gente não pode pensar só

na gente e só no nosso bairro.

Temos de pensar em tudo.

Em toda a cidade”, destaca.

“Pensando só no meu bairro

eu estaria prejudicando outras

pessoas, outras regiões da

cidade”, acrescenta a eleitora.

Raimunda Pereira da Silva,

moradora do Jardim Tangarás,

pensa de forma semelhante.

“Eu acho que não tem

nada a ver votar em alguém

só porque é do bairro. Depende

da pessoa. Tem de analisar

bem a proposta dela. Eu votaria

em alguém que trouxesse

asfalto para a gente”, diz.

Norival de Souza, do Núcleo

Geisel, afirma que não

votaria em alguém apenas pelo

fato dele ser vizinho. “A escolha

do candidato tem de ser

independente do bairro porque

tem de ser para a população

como um todo. Diversos

candidatos que não são daqui

já trabalharam pelo Geisel”,

afirma.

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