Nos bairros, qual será a
aceitação dos líderes comunitários
que tentam uma vaga
no Legislativo? Muitos “vizinhos”
preferem votar no candidato
conhecido pela comunidade.
Outros acreditam que interesses
pessoais não devem
pesar na hora da escolha, mas
sim critérios coletivos.
Muitos dos que optam pelo
candidato do bairro imaginam
que, se eleito, ele poderá
trabalhar para solucionar ou
amenizar as diversas carências
locais, principalmente na
periferia da cidade.
É o caso do aposentado
Waldemar Bento, do Jardim
Tangarás. “Nós temos candidato
aqui. Então eu vou votar no
candidato do bairro. Ele vai
ajudar muito o bairro. E o resto
da cidade também. Acho
que ele pode ajudar a nossa região”,
reforça o morador.
De acordo com Bento, o
candidato do bairro - atual presidente
da Associação de Moradores
do Jardim Tangarás,
Zaqueu Vieira da Silva -, ajudou
a comunidade quando foi
descoberta a contaminação
por chumbo provocada pela
fábrica de baterias Ajax.
“Ele está dando a maior força
para a gente. Quando tivemos
aquele problema do chumbo,
ele lutou por nós. Então
agora também estamos colaborando
com ele. Eu acho que
ele é umcara muito legal. Quase
todo mundo do bairro deve
votar nele”, argumenta Bento.
A comerciante Teresa Gagliard
Hara, outra moradora
do bairro, concorda. “Eu acho
que faz diferença e a gente
tem de votar no vereador do
nosso bairro. Um vereador de
outro lugar não vai se empenhar
em nos ajudar”, avalia.
Na opinião de Teresa, tendo
um vereador no bairro a
cobrança de medidas é facilitada.
“Sendo morador, mesmo
que você não o conheça,
a pessoa torna-se mais acessível”,
diz.
José Pedro Nunes não escolheu
um membro da associação
de moradores do bairro,
mas uma pessoa que tem
empresa no local. “Ele tem
propriedade e oficina aqui.
Ele se interessa pelo bairro,
ajudaria e poderia beneficiálo.
Acho que não teria problema.
Eu o conheço há muitos
anos e acho que é uma
pessoa que trabalharia por
nós”, insiste.
Rita de Cássia Salgado,
moradora do Núcleo Geisel,
também defende as lideranças
de bairro nas eleições.
“Eu votaria em alguém do
bairro porque seria mais fácil
fazer uma cobrança do que
ele prometeu para a gente.
Também pela possibilidade
dele fazer uma melhoria para
o local”, justifica.
Por outro lado, Rita entende
a posição daqueles que defendem
candidatos que conhecem
a realidade da cidade como
um todo. “A gente está
pensando só no nosso bairro.
Mas a gente teria de pensar
em um vereador que realmente
fizesse alguma coisa por
Bauru, que está precisando.
Se a nossa cidade tiver melhorias,
nosso bairro também será
beneficiado”, ressalva.
João Delvo de Oliveira
também é a favor das lideranças
comunitárias. “Acho que
tem de ser do bairro. Sendo assim,
ele vai fazer alguma coisa
boa para a gente. Não adianta
votar em alguém da Bela
Vista”, acredita.
Contrários
Nem todos pensam assim.
Prova disso é que os candidatos
que representam bairros
específicos não foram eleitos
no dia 3 de outubro.
Renata Cazo, moradora do
Núcleo Geisel, garante que a
proximidade do candidato
nunca pesou na hora do voto.
“A gente não pode pensar só
na gente e só no nosso bairro.
Temos de pensar em tudo.
Em toda a cidade”, destaca.
“Pensando só no meu bairro
eu estaria prejudicando outras
pessoas, outras regiões da
cidade”, acrescenta a eleitora.
Raimunda Pereira da Silva,
moradora do Jardim Tangarás,
pensa de forma semelhante.
“Eu acho que não tem
nada a ver votar em alguém
só porque é do bairro. Depende
da pessoa. Tem de analisar
bem a proposta dela. Eu votaria
em alguém que trouxesse
asfalto para a gente”, diz.
Norival de Souza, do Núcleo
Geisel, afirma que não
votaria em alguém apenas pelo
fato dele ser vizinho. “A escolha
do candidato tem de ser
independente do bairro porque
tem de ser para a população
como um todo. Diversos
candidatos que não são daqui
já trabalharam pelo Geisel”,
afirma.