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Mídia versus professor


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Muito nos incomoda a fala de algumas pessoas - leigas em educação, por vezes até a de (anti) profissionais da área educacional, tecendo comentários a respeito de uma certa aula que assistiu pela televisão: a maravilha como foi abordado determinado assunto; a riqueza de imagens mostradas; as montagens realizadas; enfim, tudo o que a mais avançada tecnologia televisiva do século 21 permite. E ainda concluem: “Aprendi mais com essa aula do que se tivesse ido à escola. Será que não reside aí o problema-solução das escolas, da quantidade de vagas, do gasto com o investimento nos profissionais da educação, dos problemas com a violência escolar? (...)”; e por aí afora!

Será que a omissão dessas pessoas (a grande maioria pais de crianças e adolescentes em idade escolar) é tão grande assim, que chegam a negar ou ignorar a proposta político-pedagógica dos colégios ou ainda a lei suprema que rege a educação nos diferentes níveis de ensino no nosso País, a LDB?

Onde ficam os papéis primários da escolarização, como a promoção da socialização; as trocas de experiências; o contato com o novo; o senso comum; a criticidade; a criatividade; o exercício da cidadania; os valores humanos e a ética das diferentes ciências?

Quem poderá substituir aqueles que se consomem nos estudos, que olham mais para os filhos dos outros do que para seus próprios filhos, que passam finais de semana traçando estratégias de ensino-aprendizagem, que buscam aprimoramento e aperfeiçoamento nos cursos, muitas vezes, longe da sua cidade, para dar o melhor de si?

Que memória histórica queremos deixar para os nossos alunos? Como recordarão de professores, modelos de líderes, de bons exemplos em valores, de incentivadores se não os tiverem? Poderá um aparelho, que ao nosso ver é um dos recursos mediáticos mais utilizados na educação, substituir aquele que estudou, que teve todos os padrões de modelos e mediadores de ensino para que ele soubesse fazer bom uso da tecnologia disponível, da sua inteligência e habilidades desenvolvidas pela escola, para fabricá-lo?

É, parece-nos mais coerente fazermos bom uso dos recursos da mídia, da tecnologia e de todos os recursos didáticos disponíveis para o processo de ensino-aprendizagem, do que reduzir os seres humanos a pequenos “cientistas” ou “gênios”, individualistas, anti-sociais, desprovidos da capacidade de estabelecer relações, egoístas, futuros profissionais-técnicos (de quê?). Afinal, ninguém dá aquilo que não tem! (O autor, João Alfredo Carrara, é professor e coordenador do Colégio e Faculdades Fênix de Bauru, professor do curso de pós-graduação em educação escolar e psicopedagogia da USC-Bauru e Faculdade Fênix e mestre em ciências biológicas pela Unesp-Botucatu)

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