As moradias foram mal construídas, sem passeios e respectivas guias. As artérias, esburacadas, com matagal e destituídas de iluminação elétrica. Um pequeno veículo, movido a gasolina, destinado ao transporte de pão, mostra-se à distância, à espera de que seus fregueses se aproximem. Nota-se uma senhora, grávida, caminhando em direção a um pequeno empório, mas nota-se também um grupo de crianças pegando ruidosamente o longo caminho de sua escola, distante mais de um quilômetro, enquanto outras se divertem empinando coloridas “pipas”, que lá estão, bem alto, drapejando suavemente. Alguns pássaros sobrevoam a área, sem cantar, denotando tristeza... Qual o retrato desse lugar, montado em uma periferia incomodamente distante do centro urbano, notoriamente abastado e alegre? É algo tristonho, tem de dizer-se, porque constitui uma foto, preto e branco, na qual a pobreza econômica, muito perceptível, constata-se não só através da dolorosa fisionomia do bairro como do precário sistema de vida de seus moradores, os quais, entre 1991 e 2000, aumentaram na base de 4,5% ao ano, superando o crescimento do total da população do País, que foi de 1,6 ao ano. “Os mais afetados pelo atual nível habitacional das periferias são, então, os pobres, reconhecidamente pobres, castigados pelos maiores níveis da inadequação, especialmente relacionada à carência de saneamento básico, de acesso ao trabalho, do abastecimento, das práticas de lazer, da educação e da saúde” - frisou o titular do novo Ministério das Cidades, Olívio Dutra, que, por isso, está advogando a imediata implantação de uma força tarefa da Organização das Nações Unidas, visando melhorar as condições das favelas como estratégia de crucial combate à extrema pobreza nelas reinantes, idênticas em todo o mundo, a todos sacrificando penosamente, ainda que o dólar do ianque pobre, a esterlina do britânico pobre, a lira do italiano pobre etc etc, valham mais, muito mais, que o real do brasileiro pobre, e assim por diante, aqueles podendo comprar mais, bem mais, que o nosso enfeitado por três cores. É a nossa permanente opinião.
O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC)! “Não se perca jamais o amor pela família, mesmo sabendo que ela muitas vezes exige esforços incríveis para manter a harmonia”.