Para muitos estudantes que estão concluindo o 3.º ano do ensino médio ou que já amargaram os últimos meses num cursinho, as próximas semanas poderiam ter a trilha sonora do filme “Tubarão”. Afinal, ele está chegando. Não o tubarão, mas o vestibular. As preocupações são muitas, a matéria e as apostilas, mais ainda. Nesse momento, a orientação de psicólogos, terapeutas e professores é uma só: evitar o estresse e manter o ritmo de estudos sem perder a cabeça.
A psicóloga e terapeuta Maria Regina Corrêa Lopes Vanin destaca que embora os vestibulandos devam concentrar muita energia nos estudos, eles precisam levar uma vida normal, ou seja, ter momentos de lazer, praticar atividades físicas, manter uma alimentação saudável e também respeitar os horários de sono.
“O estresse é um dos fatores que mais podem prejudicar o desempenho, e se o estudante dedicar todo o tempo para os estudos, provavelmente vai ficar estressado”, revela.
Para Vanin, o aprendizado se torna mais difícil à medida que o estudante fica mais cansado ou preocupado. Ela aponta a necessidade de manter hábitos constantes de estudo, desde o início da preparação para o vestibular. “É melhor estudar um pouco todo dia, dividindo a matéria, do que querer ver tudo num dia só e varar noites em claro”, aponta.
Os estudantes André Galhardo de Camargo, 18 anos, e Lígia Cristiane Santos Fonseca, 17 anos, alunos do 3.º ano do ensino médio de um colégio particular de Bauru, concordam que a mudança no ritmo de estudo nas semanas anteriores ao vestibular pode prejudicar o desempenho do candidato a uma vaga na universidade.
“Você tem de manter o seu ritmo e saber que aprendeu o que já estudou. Para quem não pegou muito firme, não é que não vai dar tempo, mas precisa se esforçar nas aulas de revisão. Só não pode estressar mesmo, porque se você fica nervoso, aí não consegue estudar mesmo”, comenta André, que está prestando vestibular para direito.
Além das aulas do 3.º ano, Lígia está fazendo cursinho semi-intensivo à noite para entrar em uma faculdade de medicina. Ela se diz preocupada com a proximidade de algumas provas, que ocorrerão antes do término da revisão do conteúdo, comum nos últimos meses do ano na maioria dos colégios. “Como a gente ainda não terminou a revisão, dá um desespero porque você acha que não vai saber nada. Mas o ideal é continuar estudando”, recomenda.
Na opinião do candidato a uma vaga no curso de sistemas de informação, Luís Gustavo Leite Marques, 18 anos, a pressão do cursinho também pode atrapalhar o desempenho do vestibulando. “Quem já fez o 3.º e já ‘tomou pau’ uma vez, agora está consciente da dificuldade. Se você não se cuidar, fica mais louco ainda com o nervosismo. Não pode desanimar e nem bitolar, porque só vai prejudicar o seu desempenho”, completa.
O “branco”
A psicóloga Maria Regina Vanin explica que o “branco” que acomete alguns estudantes durante as provas nada mais é do que um produto do nervosismo. Ela destaca que é importante que os vestibulandos confiem em sua capacidade de aprendizagem e em todo o conteúdo que já estudaram durante o ano. “Para não entrar no clima de pressão, é bom dar um tempo dos assuntos de vestibular, principalmente nas vésperas das provas”, orienta.
Para a estudante Marilda Matias Ferreira dos Santos, 20 anos, que está tentando uma vaga para psicologia, o “branco” ocorre justamente quando o vestibulando deixa que a tensão abale sua confiança. “Você vê a questão, sabe que estudou e não lembra. É horrível, porque a gente fica mais nervoso ainda. O melhor é sair para beber uma água e voltar mais relaxado”, ressalta.
Vanin indica também que os jovens podem procurar algumas técnicas e exercícios de relaxamento para usar antes e durante as provas. “Associamos o relaxamento com visualizações que despertam sentimentos positivos e a crença num bom resultado. Fazer esses exercícios durante um tempo antes da época dos vestibulares tem dado resultados excelentes.”
André indica ainda que os estudantes programem um momento do dia para deixar os livros e apostilas para trás e sair de casa. “Acho que todo mundo deveria tirar uma hora por dia para relaxar, dar uma volta e esfriar a cabeça. Mesmo que você perca uma hora de estudo, você ganha fôlego para continuar depois, com a cabeça e o corpo relaxados”, conclui.
Segurança
Nas escolas e cursinhos, a chegada da “temporada do estresse” é sinônimo de algumas mudanças e também de iniciativas que tentam dar aos alunos a segurança necessária para alcançar o sucesso no vestibular. Além das revisões e simulados, são intensificadas as aulas de redação e literatura, assim como as explicações para provas específicas. Acima de tudo, o principal foco é a orientação para o bem-estar dos alunos.
De acordo com Clóvis Roberto Benedetti Lourenço, diretor de um colégio particular de Bauru, os professores e o coordenador do ensino médio buscam trabalhar com a auto-estima e o nervosismo dos estudantes, para que eles tenham um bom desempenho nas provas.
“Temos professores que trabalham há mais de 20 anos com curso pré-vestibular e que sabem como é a realidade do dia-a-dia dos alunos. Eles tentam acalmar a tensão e o estresse nesse momento”, diz.
José Carlos Marques, que é coordenador de ensino médio e curso pré-vestibular de outra instituição de ensino da cidade, aponta que as aulas de novembro e dezembro são totalmente voltadas para a revisão do conteúdo já visto durante o ano. “Tudo é para deixar os alunos tranqüilos no vestibular. A gente procura também trabalhar o emocional, motivá-los e até dar um apoio particular, numa conversa fora do período de aulas, para uma orientação extra”, comenta.
Segundo Marques, os alunos são incentivados especialmente a participar dos simulados. “São provas nos moldes dos grandes vestibulares e os alunos aprendem como dosar seu tempo, como preencher o cartão. É um treinamento fundamental, porque no simulado ele pode errar. Na prova, não queremos que eles errem nada”, finaliza.