Política

Tuga e Caio manterão DAE público

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 9 min

Os candidatos a prefeito Tuga Angerami (PDT) e Caio Coube (PSDB) foram sabatinados por representantes das 12 entidades do Grupo Pró Bauru, em debate realizado na sexta-feira à noite, na sede da OAB-Bauru. O evento foi marcado por perguntas de conteúdo diversificado, passando por emprego, infra-estrutura, serviços, indústria e comércio. Entre temas variados, ambos assumiram o compromisso de manter o Departamento de Água e Esgoto (DAE) como uma autarquia, sem privatização ou transferência do órgão para outra esfera.

Tuga reiterou que o DAE continua como está e que os serviços prestados não serão privatizados. Caio garantiu que o departamento não será transferido para a Sabesp, órgão do Estado que assumiu o serviço em cidades da região.

O evento organizado pelo Grupo Pró Bauru teve mais de duas horas de duração. Com exceção da área de saúde - onde Caio, ao contrário de Tuga, prefere não assumir a gestão plena - os candidatos apresentam propostas muito parecidas para a resolução de vários problemas da cidade.

No embate direto, Caio indagou se o adversário, crítico do programa de privatizações do governo do PSDB, não é incoerente ao propor a venda de terrenos para levantar verba para pavimentação. Tuga disse que o adversário confundiu os temas. Sobre o asfalto, ele afirmou que a proposta é dar destinação social a áreas públicas ociosas. “Isso não tem nada a ver com privatização”, respondeu Tuga.

Na réplica, Caio defendeu o fim do Estado-empresário e a transferência de estatais para o setor privado em áreas não prioritárias ou essenciais, com exceção de setores como saúde, saneamento, educação. “Ser contra o desmonte do Estado-empresário é estar fora de sintonia com o mundo moderno”, criticou o tucano.

Tuga reagiu indagando se a população está contente com as privatizações, como no setor de telefonia e energia elétrica. “O Brasil vendeu seu patrimônio e não foi usado um centavo em investimento, só foi para pagar juros da dívida”, rebateu.

Tuga levantou que tem experiência na vida pública, indagando o tucano sobre sua carreira apenas no setor privado. Caio disse que, nas duas áreas, a busca de eficiência e resultados deve ser perseguida. A seguir, leia o que os candidatos responderam sobre as perguntas feitas pelas entidades:

Sindicato Rural

Maurício Lima Verde afirmou que há uma visão caolha do setor público para o setor rural e indagou sobre a manutenção da Secretaria Municipal de Agricultura.

Tuga disse que é um equívoco a gestão pública urbana ignorar o rural porque 75% da área municipal ainda estão desocupadas. Ele afirmou que vai manter a Secretaria de Agricultura e quer conversar com o setor rural para discutir o antigo papel exercido pela Emdurb no segmento.

Caio falou que o setor agrícola é um dos vetores do aumento de atividade em Bauru, defendeu o aproveitamento de espaços como o Centro Rural de Tibiriçá e Recinto Mello de Moraes. Ele disse que a pasta precisa de mais técnicos atuando.

Sindicato dos Contabilistas

Jair Vella questionou como o próximo prefeito vai recuperar as perdas no índice de repasses governamentais, fruto da perda de receita própria pelo município.

Caio afirmou que a receita própria da prefeitura vem aumentando nos últimos anos e um dos fatores é a atuação na área de serviços. Ele mencionou a necessidade do Município cobrar a dívida ativa e cobrar mais resultados dos 40 profissionais do setor jurídico da prefeitura.

Tuga falou que a receita própria pode ser melhorada com o aumento das atividades locais, o que gera mais repasses de Fundo de Participação e da cota do ICMS. Ele defendeu a revisão da planta de valores do IPTU e ações para a prefeitura cobrar devedores.

Sindicato das Empresas de Transporte

Gilberto de Jesus Moreira perguntou se os candidatos assumem construir um terminal de cargas na cidade.

Caio destacou a vocação da cidade para a logística de transportes e comentou que deve ser perseguido um distrito de cargas específico para a atividade. Para ele, o terminal é um diferencial competitivo importante para o Município.

Tuga considera importante a inclusão do tema na discussão do novo Plano Diretor, que está em curso, e convidou o setor de transporte a ajudar na ação para que as empresas do ramo recolham impostos na cidade.

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Bauru)

Pelegrino Bacci Neto perguntou se os candidatos podem atuar para articular a instalação de um distrito judiciário.

Tuga apontou que a população tem dificuldade também de utilizar os serviços municipais, já que os imóveis de secretarias e departamentos estão espalhados em vários pontos. Reforçou que este é mais um tema que deve integrar a revisão do Plano Diretor e se colocou à disposição para ajudar a buscar verbas para a proposta.

Caio afirmou que essa meta é de racionalização, de planejamento, ponderou que o Estado e a União teriam dificuldades em alocar recursos para a construção de novos prédios, mas defendeu a proposta como racionalização do acesso à população ao setor público.

Associação dos Engenheiros,Arquitetos e Agrônomos

Marcos Wanderlei Ferreira perguntou como agir com o desperdício e serviços mal feitos na gestão pública e o número reduzido de profissionais de sua área.

Caio ponderou que o quadro de competências técnicas entrou em queda na prefeitura por falta de empenho do governo, desmotivando a mão-de-obra. Defendeu compromisso com a qualidade dos serviços, treinamento e ações de combate ao desperdício e perdas.

Tuga lembrou que a prefeitura tem três escolas construídas pelo setor privado e uma ponte (Mary Dota) com problemas, o que mostra que os servidores estão sendo colocados de lado com a terceirização de obras. Pediu que a associação ajude com a discussão da qualidade das obras e na fiscalização.

Associação Comercial e Industrial (Acib)

Benedito Luiz da Silva indagou qual a estratégia para manter as empresas instaladas na cidade.

Tuga defendeu iniciativas conjuntas com as empresas e parcerias com a prefeitura, como nas promoções do comércio local. Ele acha que falta atenção do Poder Público aos empresários e defendeu a criação de um conselho político formado por diferentes segmentos para a discussão das ações no setor.

Caio ressaltou a importância das micro e pequenas empresas na geração de empregos e afirmou que vai criar um departamento específico para a área junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Disse que vai viabilizar parcerias e que o empresário não vai tomar “chá de cadeira” na prefeitura.

Conselho Regional de Economia

Antonio Gérson de Araújo questionou sobre o funcionamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que considera precário.

Tuga disse que quer implantar o Instituto Municipal de Planejamento, já criado por lei. O órgão teria a incumbência de pensar os programas e ações no setor de desenvolvimento local, de pesquisar as vocações e de gerar um banco de dados com pesquisa para indicar o caminho do crescimento, também com um braço na gestão ambiental.

Caio disse que desenvolvimento é uma questão de atitude e de mentalidade, criticou a dotação de apenas R$ 417 mil para a secretaria em 2005 e a demora na instalação do Banco do Povo como incentivo ao microcrédito. Para o candidato, também falta potencializar o conhecimento gerado pelas universidades locais.

Associação dos Contabilistas

Cris Moreno perguntou qual a proposta dos candidatos para melhorar a renda per capita da cidade.

Caio mencionou que este é mais um desafio, aumentar ano a ano a arrecadação própria e as transferências governamentais através do aumento do nível de atividade econômica e do apoio aos empreendedores locais, além de aumentar as receitas e reduzir despesas, com combate ao desperdício e perdas.

Tuga disse que a administração municipal precisa arrecadar melhor e isso deve ser feito com ações como um novo cadastro físico de imóveis e a atração de mais investimentos com a melhoria da qualidade de vida através dos indicadores sociais. Segundo ele, a prefeitura tem que fazer a tarefa de casa e torcer para a economia do País crescer.

Centro das Indústrias (Ciesp)

Venícius Tobias questionou sobre a falta de infra-estrutura em distritos industriais.

Caio disse que para atrair investimentos é preciso dotar os distritos industriais de infra-estrutura. Ele falou que é preciso ser criativo, ousado e buscar parcerias e lembrou que seu compromisso de governo prioritário inclui o desenvolvimento econômico com obras de asfalto, rede de água e esgoto, galerias e de iluminação pública para os distritos.

Tuga citou que a primeira cobrança da população é asfalto e a segunda emprego, o que legitima investimentos em distritos industriais pela prefeitura já que o setor gera emprego e atividade econômica. Ele prometeu prestigiar as indústrias que estão instaladas e melhorar a infra-estrutura para atrair investimentos.

Associação Paulista de Medicina

José Henrique Godoy perguntou qual a posição dos candidatos sobre o financiamento da gestão plena de saúde.

Caio citou que a demanda de atendimento de saúde no setor público explodiu em Bauru e que o problema não é de financiamento porque a prefeitura aplica 23% do orçamento anual. Ele quer discutir a adoção da gestão plena depois da eleição, citando que a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) é contra a gestão plena e as demais entidades são a favor. Prometeu implantar o sistema que for considerado mais eficiente.

Tuga apontou que gasta-se mal na saúde pública municipal porque o sistema está invertido, sem atenção à rede básica. Defendeu o programa de saúde da família e a implantação da gestão plena para que os gestores exerçam controle sobre os prestadores de serviço da área hospitalar.

Sindicato do Comércio

Walace Sampaio perguntou como o próximo prefeito vai superar a crise política e promover a união da cidade, sem isolamento com as demais esferas.

Tuga lembrou que o slogan de sua campanha é direcionado para essa necessidade, “Juntos por Bauru”. Disse que vai atuar para promover a reconstrução da relação entre o Executivo e o Legislativo e a relação institucional com o Judiciário e o Ministério Público. Falou que vai procurar os canais já abertos no governo federal, com o apoio recebido do PT, e procurar o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).

Caio comentou que a crise política gera essa ruptura com a ordem institucional e que o segundo turno em Bauru vai dar legitimidade e credibilidade ao prefeito eleito para resolver este processo. Lembrou que é do PSDB e conta com os apoios do governo do Estado, do deputado Pedro Tobias e, na área federal, do deputado Milton Monti (PL).

Sindicato da Construção Civil

Ralph Ribeiro Júnior perguntou quais serão as medidas para a redução da informalidade na área de construção civil.

Tuga lembrou que a construção civil é o setor que mais rápido gera emprego. Segundo ele, ao atacar obras como o tratamento de esgoto, a conclusão do viaduto, o programa de pavimentação e o setor de habitação o Poder Público estará ajudando a gerar emprego. Ele também defende uma ação conjunta das áreas de previdência e do Ministério do Trabalho para incluir os informais na construção civil.

Caio citou que um dos desafios é estimular o setor com um plano de pavimentação e de moradias populares. Na área de habitação, ele defendeu uma parceria entre a Cohab e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e, ainda, programas desenvolvidos pela prefeitura para formalizar trabalhadores na área da construção.

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