Na opinião dos comandantes
das três companhias
da Polícia Militar (PM) de
Bauru, a quantidade de ocorrências
registradas no município
não justifica mudanças
de comportamento da população.
Eles explicam que a sensação
de insegurança da população
não necessariamente
reflete o grau de violência da
cidade.
“Estatísticas de homicídios,
de armas apreendidas e
notícias de violência de modo
geral causam sensação de
insegurança. Mas, às vezes, a
pessoa insegura mora num
bairro que não tem tantos problemas,
estatisticamente. São coisas diferentes”, explica
o capitão Benedito Roberto
Meira, comandante da 1.ª
Companhia da PM.
Na opinião de Meira, a audácia
dos infratores pode assustar
mais do que a freqüência
com que as ocorrências
são registradas. “Furtos e roubos
a residências, por exemplo,
não têm aumentado assustadoramente.
Mas alguma coisa diferente que aconteça
vai sendo divulgada e causa
um certo temor nas pessoas”,
afirma.
Ele acredita que a grande
quantidade de cercas elétricas
instaladas recentemente
refletem o aumento da sensação
de insegurança da população.
“Andando pelos bairros,
vemos muitas cercas elétricas.
As pessoas estão usando
porque com certeza outros
moradores daquele bairro foram
vítimas de furto. Um vizinho
conta para o outro e aumenta
a sensação de insegurança”,
expõe.
Meira avalia que os crimes
praticados na área central
da cidade não justificam
mudanças drásticas de comportamento.
“Não está tão crítico
assim. Está em um patamar
suportável,
tranqüilo. Não temos
crimes graves,
violentos. Temos
crimes contra
o patrimônio, que
é o furto, em função
do comércio”, argumenta.
“Para saber se a
área está violenta,
temos de avaliar se
a incidência de crimes
contra a vida,
como o roubo, está
muito alta. Isso eu
garanto que não está.
A violência se
traduz em ausência
da integridade física
da pessoa”, acrescenta.
O capitão Flávio
Jun Kitazume,
comandante da 3.ª
Companhia da PM, tem percebido
as alterações de comportamento
das pessoas.
“As pessoas já não freqüentam
tanto as praças públicas,
que deveriam ser locais
para a criançada e para a família.
A gente percebe também
o aumento das grades de proteção
nas janelas e no portão.
Cada vez mais as pessoas vão
se fechando. Portão eletrônico
e interfone com câmeras
também são equipamentos
que revelam a sensação se insegurança”,
expõe.
Kitazume afirma que não
existe concentração de ocorrências
nas regiões Noroeste
e Oeste. “Percebo que o furto
predomina entre as ocorrências.
Em segundo, e em escala
bem menor, vem o roubo. Depois
o homicídio. O que preocuparia
mais a gente seria as
ameaças às vidas das pessoas.
Mas em Bauru o número de
furtos ainda é maior que o de
roubos”, diz.
O comandante da 3.ª Companhia
acredita que uma alternativa
para que a população
volte a se sentir à vontade em
seus bairros é o envolvimento
com a polícia.
“Quanto mais próxima a
polícia estiver da comunidade,
mais segurança podemos
oferecer, conforme a necessidade.
É importante que o policial
seja fixo numa área de
modo que ele conheça e seja
conhecido pelas pessoas,
passando mais segurança”,
avalia.
Para o capitão Nelson Garcia
Filho, comandante da 4.ª
Companhia da PM, a insegurança
não pode prejudicar a
qualidade de vida das pessoas.
“Você não pode deixar
sua qualidade de vida cair em
virtude de imaginar uma situação
hipotética. Não pode prejudicar
sua vida. O que vem
em primeiro lugar é a qualidade
de vida”, afirma.
Na opinião de Garcia, muitas
pessoas ficam abaladas
por saber o que aconteceu
com um vizinho, com um morador
de outra cidade ou por
acreditar que a violência da
qual foi vítima vai se repetir
em breve.
“Quando a pessoa é vítima
de algum furto, roubo ou violência
qualquer ela tem uma
espécie de síndrome e pode
achar que o bandido vai voltar.
É uma coisa natural. É
uma coisa psicológica. Se seu
vizinho foi vítima de furto, dá
a impressão de que a próxima
casa é a sua”, explica.
Garcia acredita que o policiamento
preventivo contribui
com a volta da sensação
de segurança. “Cabe à polícia
mostrar para a comunidade a
possibilidade de acabar com o
crime”, salienta.
O grande problema é que
muitas pessoas não denunciam
ocorrências à polícia por
medo de represálias. Isso dificulta
a ação da polícia, que
precisa da colaboração dos
moradores para manter a região
tranqüila.
Garcia reforça que Bauru
não está em situação crítica
de violência. “De modo geral,
a região está bem tranqüila.
Não está preocupante. E com
o helicóptero teremos um retorno
ainda melhor”, diz.