Regional

Soja e amendoim ganham espaço nos canaviais

Por Renê Gardim | Da Tribuna Impressa especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - As áreas de renovação da cana arrendadas para o plantio de soja e amendoim este ano devem aumentar. A conclusão é do engenheiro agrônomo e consultor da Consulagro/FNP, André Abrantes, participou do 2.º Seminário de Cana e Soja, realizado pela Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores do Estado de São Paulo (Coopercitrus) em Araraquara (135 quilômetros a nordeste de Bauru), no mês passado.

O evento reuniu 160 produtores de cana, usineiros e sojicultores da região. E pelo segundo ano consecutivo, o apoio à iniciativa de ceder áreas de renovação da cana para a safra de soja orientou os debates. “Mas este ano o foco foi o crescimento da rentabilidade para o setor sucroalcooleiro”, afirma o engenheiro agrônomo da Coopercitrus, Rafael Fernandes Oliveira, um dos organizadores do evento.

“Mostramos que deixar a terra parada por seis meses no período da renovação é economicamente um desperdício. E com a soja é possível aumentar em até 6,5% a taxa de retorno, ou seja, o lucro que a cana deu durante seu ciclo, que é de cinco anos”.

Para Abrantes, 16% dos 30 mil hectares de área de renovação da cana anuais na região devem ser arrendados para o plantio de soja este ano. Portanto, cerca de 5 mil hectares estarão disponíveis na safra que começa agora na segunda quinzena de outubro.

No entanto, o consultor garante que é possível ir muito além. “Podemos chegar aos 90% da área de renovação com soja”, garante. “Além de haver vantagens econômicas para todos, o proprietário da terra ganha pois a soja fixa nitrogênio ao solo, além de deixar resíduos de outros nutrientes, reduzindo o preparo para a cana”.

Mas para o engenheiro Godofredo Vitti, do departamento de Solo e Nutrição de Plantas da Esalq da Universidade de São Paulo (USP), no câmpus de Piracicaba, é preciso ter um trabalho conjunto entre os produtores de cana e os sojicultores para garantir uma maior produtividade do solo, pois, a partir do terceiro corte, é preciso começar o preparo para a soja.

â€œÉ um investimento em médio prazo”, explica Oliveira. “Hoje, uma área em que apenas se tira a cana e planta a soja, a produtividade fica em torno de 45 sacas por hectare. Com o preparo antecipado é possível chegar a 60 sacas, aumentando o lucro de todos”.

Segundo Oliveira, o trabalho da Coopercitrus começa a dar resultados favoráveis. Duas das maiores usinas da região este ano devem plantar soja e amendoim em cerca de 1,2 mil hectares. “Ainda é pouco, mas um início, pois até agora havia resistência em aceitar a rotação com a soja”.

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Sojicultores começam a preparar as lavouras

Araraquara - Este ano os produtores de soja da região não devem aumentar a área plantada, mantendo os cerca de 6 mil hectares que foram cultivados no ano passado. Já as usinas também devem plantar a própria soja, mas não existe um levantamento preciso sobre a área que será utilizada.

Para o sojicultor João Dimas, a diferença na safra que começa neste mês é a ausência dos “aventureiros”. “No ano passado, como a soja estava em alta, muita gente decidiu arriscar, embora não conhecessem nada da cultura. Mas agora, principalmente devido a ferrugem asiática, que chegou em definitivo em nossas lavouras, essas pessoas desistiram”.

A ferrugem é uma praga que chegou ao Brasil em 2002, mas somente na safra passada alcançou a região. E foi a responsável pelo grande aumento nos custos do plantio. “Certo que tivemos um aumento na produtividade, mas a doença preocupa”.

Pelos cálculos de Dimas, quem não conseguir tirar 50 sacas de soja por hectare este ano corre o risco de ter prejuízo. Isso porque os preços não devem ser tão altos como na safra passada e os custos não cairão. “Talvez tenhamos que fazer duas aplicações de fungicida para atacar a ferrugem enquanto no ano passado foi apenas uma. Isso faz o custo subir mais ainda”, lembra.

Tribuna Impressa

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