Cultura

Em paz com a fama

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Averso aos shows desde o início de sua carreira, há 40 anos, o cantor e compositor carioca Francis Hime é, hoje, fã de carteirinha dos palcos. Essa “mudança” comportamental, que vem se concretizando há 15 anos, coincide com a atual fase de intensa produção musical vivida por ele.

Além de estar em turnê de divulgação do seu último CD, “Álbum Musical”, lançado recentemente pela Biscoito Fino (produtora de sua esposa Olivia Hime), Francis está compondo diversos trabalhos de música erudita, entre eles uma ópera para cantores líricos. â€œÉ um trabalho sobre futebol e estamos pensando em encená-la ano que vem com uma orquestra sinfônica completa”, revela o cantor, em entrevista por telefone ao JC.

Francis se apresenta hoje, às 21h30, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc). O show terá a participação da cantora Margareth Reali e será centrado no songbook “Álbum Musical”.

O disco é uma verdadeira pérola da MPB. Reúne 18 composições de Francis interpretadas por diferentes vozes da música nacional. Entre elas, “Atrás da Porta”, “Trocando em Miúdos”, “Embarcação” e “Meu Caro Amigo” - todas inclusas no repertório do show de hoje. Sem falar do livro de partituras contendo melodias, cifras, letras e arranjos para piano produzidos pelo próprio cantor, que acompanham o CD.

O capricho do disco é uma demonstração do show, cujo repertório pinçou as principais obras-primas de Francis. Detalhe revelado pelo cantor: “no show eu conto a história das músicas, como surgiram e quem as canta no disco”, adianta ele, que sobe ao palco ao lado de Margareth e Chico Saraiva (violão).

Só para dar uma canja, Francis conta como foi criado seu primeiro sucesso, a canção “Sem Mais Adeus”. Segundo o cantor a letra foi entregue a ele por Vinicius de Moraes em um verão de 1963 e inaugurou sua carreira. “Vinicius chegou, um belo dia, no Rio de Janeiro, com a música em um guardanapo de papel. Foi o começo de nossa parceria”, diz, entusiasmado. Desde que assumiu o gosto pelos shows, essa qualidade tornou-se mais evidente na trajetória do cantor. “Uma das coisas que eu mais gosto de fazer, de uns anos para cá, é subir no palco. Adoro isso. Me sinto em casa”, afirma, surpreendendo sempre.

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Carreira

Nascido em agosto de 1939 no Rio de Janeiro, Francis Hime começou a estudar piano clássico na infância no Conservatório Brasileiro do Música. Em 1963 iniciou a parceria com Vinicius de Moraes, e a partir daí, não parou mais. Nos anos 60, suas composições ganharam destaque nas vozes de artistas e grupos consagrados. Entre elas “Por um Amor Maior” gravada por Elis Regina, “Samba de Maria” por Vinicius de Moraes e “Anunciação, por MPB-4.

Na década de 70, firmou parceria com Chico Buarque, fato que o tornou ainda mais conhecido. Clássicos da MPB são originários dessa fase: “Trocando em Miúdos”, “Passaredo”, “Meu Caro Amigo”, “Vai Passar”, “Quadrilha”, “Atrás da Porta” e “Pivete”.

Atuou também na música erudita, escrevendo peças de câmara e sinfônicas. É autor de “Sinfonia n.º 1”, executada e regida pelo próprio Francis em 1993 na sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. Escreveu a Sinfonia no. 1, “Carnavais para Coro Misto” e “Orquestra, Fantasia para Piano e “Orquestra, Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião”.

Francis também é autor de trilhas sonoras para inúmeros filmes, como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto, “Lição de Amor”, de Eduardo Escorel e “A Noiva da Cidade”, de Alex Vianny.

• Serviço

Show de Francis Hime e Margareth Reali, hoje, às 21h30, na área de convivência do Sesc.

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