Cultura

Marcelo D2 grava CD acústico sem novidades

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Marcelo D2 tem uma trajetória curiosa. Como líder do Planet Hemp foi preso, perseguido, impedido de se apresentar em diversos locais. Sempre foi admirado pela qualidade das suas letras, mas em um nível mais restrito aos apaixonados e alguns críticos. Faltava algo para se tornar um pop star de verdade. Não que ele precisasse ou quisesse isso mas o fato hoje é que hoje ele faz parte do grupo. “Acho legal esse reconhecimento depois de dez anos de carreira nadando contra a maré”, diz, sem acreditar que seja tão paparicado quanto parece.

Com o ótimo “À Procura da Batida Perfeita”, o rapper carioca ganhou tudo: mais fãs, fama, dinheiro, prêmios de todas os tipos e tamanhos... Enfim, mostrou que pode fazer música boa sem ter que ficar o tempo todo pregando a liberação da maconha. Quando já havia uma expectativa em torno do seu próximo trabalho, D2 surge com um disco da série Acústico da MTV.

A grife merece respeito e nunca produziu trabalhos ruins, mas o “Acústico Marcelo D2”, lançado pela Sony é um disco sem grandes atrativos que passa a impressão de ter vindo cedo demais. D2 afirma que não havia pensado no formato até que surgiu o convite da gravadora. Ele gostou da experiência: “Adorei o resultado, é um dos meus melhores discos, foi mais um passo na minha busca da batida perfeita”, acredita.

Será? O CD é o primeiro “Acústico” feito com um rapper e, apesar da empolgação do público presente na gravação - que é sempre legal em discos ao vivo - a qualidade do resultado final é duvidosa. D2 revela que o processo mais difícil na produção do disco foi transpor as batidas eletrônicas, principalmente as do primeiro disco, para os músicos. Elas, é claro, estão lá, mas não têm o mesmo efeito do que o trabalho no estúdio, o que torna o disco até certo ponto cansativo, verborrágico demais, barulhento.

É uma pena. D2 canta as principais músicas de “À Procura...” e volta a antigos sucessos do Planet Hemp mas o encanto fica perdido em alguma tomada desplugada. Nem a participação do seu simpático filho salva a cena. “Loadeando”, que já era chatinha. fica ainda mais sem graça. O que fica é a impressão de que, com o novo disco, D2 se preocupou mais com as aparências (os projetos acústicos da MTV costumam catapultar carreiras à estratosfera) do que com o som.

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