Articulistas

Mudanças que não vêm


| Tempo de leitura: 2 min

Invocando a necessidade imediata de “uma política pública para a cidadania”, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, apareceu na mídia externando que o Governo Federal reconhece isso mas só virá a mudar a Constituição quando achar ter chegado o momento oportuno. É sintoma evidente de que a triste situação dos “40 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza e dos 12 milhões vitimados pela indigência" ainda não despertou os pesares dos poderes públicos suficientemente para induzi-los a realizar imediatamente as modificações.

Continuará, conseqüentemente, a economia nacional escondida nas nuvens escuras do cenário que lhe foi desenhado há mais de 30 anos e vai se eternizando, conforme o triste testemunho de vida levado pelos citados milhões de patrícios. Acha José Dirceu que os desafios do Brasil se encontram na infra-estrutura, na educação, na tecnologia e no investimento, necessitados, então, dos devidos socorros. Mas será que somente ele reconhece essas necessidades desconhecendo-os os demais ministros que, portanto, não se harmonizam em pensamentos idênticos e estatizam quanto à contribuição que lhes compete no amplíssimo contexto, como seja buzinar nos ouvidos do Presidente, caminhar para a superação da pobreza e fortalecer progressos na economia? Concorda ele ter o atual governo encontrado o País num panorama que exige mudanças profundas na administração pública e, conseqüentemente, em estilo nenhum pode encolher-se, fechando os olhos simplesmente, achando também que ainda não seja o momento de consertar o que carece urgente de conserto, como pensa o chefe máximo.

Precisa, então, tentar realizar a cabeça de Lula, fazendo-a raciocinar da mesma forma que ele, demais ministros e componentes dos órgãos legislativos federais também pensam, como a coletividade, que, faminta de tudo, não só de gêneros alimentícios, não tem condições de abrir mão de nada, de tudo reclamando um pouco que seja, principalmente para não deixar que os filhos pereçam fustigados pela irreprimível miséria. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. “Aqueles cujas lágrimas secaram enquanto as dos outros se multiplicaram, aqueles que calando repentinamente foram-se de súbito, inesperadamente, não têm tempo de dizer onde estão”.

Comentários

Comentários