Tribuna do Leitor

Novos presídios


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Acabei de ler no Jornal da Cidade de hoje, 15 de outubro, a seguinte manchete: “Reginópolis abre dois presídios com televisão nas celas e cantina” e no corpo da matéria fico sabendo que haverá salas de aula, pavilhão de trabalhos e cozinha. E todos nós sabemos que se o preso sentir qualquer dor será providenciado imediatamente um médico. Se for dor de dente virá um dentista para atendê-lo. Também receberá a visita de sua mulher, com direito à intimidade, para lhe dar carinho, aliviar-lhe as tensões. Fiquei muito contente com essas notícias, achei muito bom que o preso tenha mesmo tudo isso. Será muito bom para ele e para a sociedade que o sustenta, eu e você, leitor. Mas como fica o trabalhador braçal, o operário, o catador de papéis e outros trabalhadores que mourejam no pesado para apenas tentar garantir que corpo e alma fiquem juntos? Como é que eles fazem quando a dor de barriga ou de dentes aperta e ele não têm como pagar um médico ou dentista? E a mulher que lhe devia dar carinho e compreensão, talvez até orientada por psicólogo, só reclama que falta roupa, sapato para as crianças e que a comida é pouca? Após essa reflexão, que configura uma verdade inconteste, eu me pergunto: quem é o brasileiro herói, o brasileiro que não desiste nunca? E a resposta me vem: é esse grande herói que persiste em trabalhar honestamente, em cumprir as leis, pagar seus impostos e viver sempre apertado, sempre esperando dias melhores que virão ou não, mas ele ali, firme, ético, decente, correto. Esse é que mereceria ter televisão, cantina, visita da mulher amada e toda a assistência para a sua saúde e dos seus, que deveriam comer carne, como se comem nos presídios e não nas casas dos operários, trabalhadores honestos e decentes.

Isolina Bresolin Vianna - RG. 3.027.947

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