Política

Febem vê descontrole e troca diretor

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma semana após o registro de uma rebelião com reféns em Bauru, a presidência da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) anunciou a demissão da diretora Celi Aparecida Martins Perpétuo. A falta de controle na unidade foi apontada pela assessoria de imprensa da Febem como o motivo da saída. O novo diretor, coronel Cid Monteiro de Barros, assumiu o cargo anteontem à tarde.

Depois de ter à frente de sua direção pedagogos e psicólogos, a Febem de Bauru terá agora um policial militar da reserva no comando da unidade. Esse é o quinto diretor da Febem de Bauru, desde a inauguração do prédio, em 2002.

A troca, segundo a assessoria de imprensa da instituição, foi determinada pelo presidente da Febem e secretário da Justiça e Defesa da Cidadania, Alexandre de Moraes, que está à frente da fundação há 54 dias. A assessoria não informou quais foram os critérios levados em conta para a indicação.

Procurado pela reportagem, o novo diretor não quis conceder entrevista ontem. “Eu ainda estou me interando das coisas”, justificou o coronel.

Por meio de uma nota, o presidente da Febem informou que o afastamento da diretora ocorreu porque a unidade apresentou, nos últimos meses, um vasto histórico de agressões de funcionários provocadas por internos e brigas entre os jovens. Segundo a assessoria, durante a gestão de Celi, também estariam ocorrendo muitos desentendimentos entre a direção e os funcionários e o regimento interno da unidade não estaria sendo cumprido.

Desde fevereiro de 2003, de acordo com os dados da Febem, ocorreram na unidade de Bauru quatro fugas coletivas (com 60 fugitivos no total), quatro tumultos e duas rebeliões.

Para a assessoria, a seqüência de ocorrências dessa natureza e as conseqüentes trocas de diretores podem ser atribuídas à “falta de controle” dos diretores sobre as unidades. Celi Perpétuo não foi encontrada ontem pela reportagem, por telefone, para comentar a demissão.

A assessoria negou que a chegada de um militar ao cargo represente um endurecimento na linha de conduta da unidade. A determinação da presidência da instituição, segundo o órgão, é que o diretor siga à risca as diretrizes do regimento interno da Febem. “Não vai endurecer, nem amolecer, tem que seguir o regulamento”, destaca a assessoria.

Oficiais da Polícia Militar, consultados ontem pelo JC, definiram o coronel Cid como um comandante que se destaca pela postura de diálogo, flexibilidade e bom relacionamento com as pessoas.

O coronel trabalhou em Bauru no Comando de Policiamento Interior-4 (CPI-4) da Polícia Militar no final da década de 90. Em 2001, segundo informou o JC, foi escalado para atuar em Ribeirão Preto em função do bom trabalho realizado no CPI-4. O coronel também esteve à frente da Comissão Estadual de Polícia Comunitária por vários anos.

Histórico

Em fevereiro deste ano, a professora e diretora aposentada pela rede estadual e ex-secretária de Educação de Agudos, Celi Aparecida Martins Perpétuo, assumiu a entidade. Na época, ela afirmou ao JC acreditar que sua experiência como educadora a auxiliaria no cargo e na orientação de projetos para a ressocialização dos adolescentes internados. A professora destacou como meta o acompanhamento e o gerenciamento mais firme dos funcionários para evitar problemas como fugas e rebeliões. Entretanto, esse tipo de ocorrências continuou fazendo parte da realidade da Febem de Bauru.

Últimos registros

No último dia 14, internos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) mantiveram três reféns durante uma rebelião que durou cerca de duas horas.

Armados com pedaços de ferro e enxadas, os rebelados só se entregaram após a chegada do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, e a negociação feita com a Polícia Militar.

No último dia 25 de agosto, uma fuga em massa foi registrada na unidade. Na ocasião, 17 internos saíram pelos portões da frente do prédio, após renderem dois funcionários. Os fugitivos foram recapturados no prazo de dois dias pela Polícia Militar.

No mesmo mês, no dia 11, três internos conseguiram escapar da instituição. Eles foram recapturados três horas após deixarem a unidade.

Comentários

Comentários