Pesca & Lazer

História de pecador: Crise de identidade leva peixe ao suicídio


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“Era uma tarde de verão, no final do ano passado. Enquanto jogava conversa fora com a minha sogra Maria, vejo meu marido Aparecido e meu sogro José chegando pelos fundos do quintal. Pela cara dos dois, parecia que tinha morrido alguém da família. Como vinham da chácara da avó, que fica vizinha à casa da minha sogra, ficamos assustadas...

Eles tinham ido pescar em um dos três tanques de peixes que os dois mantêm na chácara. Mas ao invés de pescar, resolveram separar os peixes por tamanho. Quando estavam transferindo os exemplares, uma carpa de nome Mimosa “deu um salto” da rede e caiu “estatelada” no chão. Morreu na hora. Meu sogro não se conformava. A carpa era a mais bonita de todos os exemplares que possuía e comia a ração na mão dele. Meu marido, sem pestanejar, já avisou. “Vamos fazê-la frita para tomar com cerveja.” Indignado, meu sogro protestou: “Não esperem pela minha companhia”.

A minha sogra que perde o amigo, mas não perde a piada, sentenciou: “Que acidente que nada! Ela cometeu o suicídio. Nunca vi carpa ser batizada com nome de vaca. Morreu de desgosto.”

Ana Pereira

* Os nomes foram trocados a pedido da autora do causo, que é professora e contadora de histórias

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