Candidatos de Jaú, Reginópolis e Gália, derrotados nas urnas no último dia 3, estão pedindo a cassação de registro de candidatura ou diplomação dos prefeitos eleitos nesses municípios. As representações estão tramitando na Justiça Eleitoral.
Em Reginópolis, a atual prefeita Carolina Araújo de Sousa Veríssimo (PMDB), que perdeu as eleições por uma diferença de 55 votos, acusa o eleito Claudemiro Undiciatti (PSDB) de crime eleitoral.
De acordo com a ação protocolada no último dia 14, o candidato teria supostamente distribuído mais de 150 cestas-básicas para a população carente do município nos fins de semana que antecederam as eleições. A defesa do prefeito eleito até ontem não havia sido notificada sobre o processo.
Para a acusação, que também pede a cassação do registro ou diploma do vice-prefeito eleito Marco Antonio Martins Bastos (PSDB), a coligação “Reginópolis para Todos” teria aliciado os moradores com a distribuição das cestas-básicas, “interferindo no resultado final da eleição”.
Em agosto, o PL, que integra a coligação derrotada “Nova Reginópolis”, já havia protocolado uma ação acusando Undiciatti de abuso de poder econômico e captação de votos. A ação foi julgada improcedente em primeira e segunda instâncias.
No município de Jaú, a Coligação “Pra Frente Jaú” apresentou na Justiça Eleitoral uma ação contra o prefeito reeleito João Sanzovo Neto (PSDB) e o vice Milton Prado Lyra (PL). A representação, protocolada antes do resultado das urnas, acusa a coligação de Sanzovo de crime eleitoral e abuso de poder de autoridade, por supostamente utilizar servidores públicos municipais para realização de reunião política e distribuir brindes para captação de votos. Os adversários também acusam a coligação de supostamente ter feito uso eleitoral de um programa federal de erradicação do trabalho infantil para captação de votos.
No município de Gália, a coligação “Renovação e Desenvolvimento” protocolou uma representação contra o prefeito reeleito Ermano Piovesan (PSDB), e o vice Afrânio Scaramucci (PSDB), da coligação “Unidos por Gália”. Segundo a denúncia, Piovesan teria feito uso da máquina administrativa para fins eleitorais, utilizando supostamente um funcionário da prefeitura e veículo público para efetuar ligação elétrica num comício realizado na Praça dos Estudantes. Na representação, o prefeito reeleito também é acusado de distribuir cestas básicas, medicamentos e adoçantes para diabéticos no período eleitoral.
No caso de Gália, o Ministério Público já analisou as denúncias e considerou as provas apresentadas insuficientes. A Justiça Eleitoral deve emitir nos próximos dias uma decisão sobre o caso. Piovesan foi eleito no município com 53% dos votos válidos.
Inconformados
Para o prefeito reeleito de Gália, Ermano Piovesan, as denúncias seriam um ato de inconformismo dos adversários diante da derrota nas urnas.
“É uma denúncia corriqueira, de quem foi derrotado nas eleições. É claro que as pessoas não se conformam com a derrota ficam tentando denegrir a imagem da gente”, diz o prefeito, que nega as acusações de uso da máquina administrativa e compra de votos.
Eduardo Garro de Oliveira, advogado do prefeito reeleito em Jaú, também rebate as denúncias de irregularidades apresentadas contra seu cliente. “Não houve nenhum tipo de manifestação de João Sanzovo ou de sua coligação no sentido de captação de sufrágio”, diz. “Essa (representação) é uma tentativa desesperada de mudar o resultado das urnas”, completa. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, Sanzovo estava viajando ontem à tarde e não poderia atender a reportagem.
Sandoval Aparecido Simas, advogado do prefeito eleito de Reginópolis, afirma que as denúncias apresentadas contra Undiciatti são caluniosas. “Não tem qualquer consistência”, diz. “É pratica comum de quem perde nas urnas fazer essas denúncias para deixar o ambiente (eleitoral) que já não é tão bom um pouco pior”, destaca.
Undiciatti também não foi localizado pela reportagem ontem, por telefone, para comentar o assunto.
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Apreensão
Em Barra Bonita, o promotor público Luís Fernando Violi propôs no último dia 15 uma ação cautelar de busca e apreensão contra a coligação “A Hora é Essa”, do prefeito eleito Dimas de Sales Paiva (PSDB). A medida foi tomada a partir de denúncia de compra de votos apresentada por adversários políticos.
Com base na ação cautelar, no último dia 7 um computador foi apreendido num dos escritórios da coligação “A Hora é Essa”. Segundo os adversários do prefeito eleito, o controle de captação de votos estaria registrado no computador, em documentos e disquetes. A diferença nas urnas entre Paiva e o segundo candidato foi de apenas 25 votos.
De acordo com a chefe do cartório eleitoral Sueli Aparecida Gerin, na próxima semana um perito será acionado para recuperar os dados da máquina.
Paiva nega a compra de votos e diz estar tranqüilo quanto ao resultado das investigações do Ministério Público. “Eu acho que quem perde a eleição por 25 votos realmente deve ficar muito ansioso e desesperado”, diz. “Mas eu estou tranqüilo quanto as investigações e já estou preparando o meu terno para a posse”, completa.