Cultura

Artigo: À flor da pele

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Compositor há 40 anos, Francis Hime resolveu deixar os bastidores musicais e assumir seu lado cantor. Quem ganha é o público, que, surpreso com a desenvoltura do artista se encantou com a belíssima apresentação realizada por ele na noite de anteontem, no Sesc.

Antes de sua entrada nos palcos (o show foi aberto pela cantora Margareth Reali), havia muitos comentários sobre qual música iria ser tocada ou mesmo sobre quem era o tal Francis Hime. Ao assumir o piano e tocar os primeiros acordes, a memória dos mais desavisados veio à tona: é ele o autor de tesouros da MPB, lembraram alguns.

“Trocando em Miúdos”, “Atrás da Porta”, “Embarcação”, “Meu Caro Amigo”, entre tantos outros sucessos, são de sua autoria, alguns feitos em parceria com Chico Buarque. Por pautar grande parte de sua carreira como compositor (ele também produziu obras-primas com Vinicius de Moraes, como “Sem Mais Adeus”), Francis nunca havia ocupado lugar de destaque nos palcos.

O lugar, aliás, causava aversão ao compositor entre os anos 40 e 70. Mas quem o assiste hoje, com certeza, não tem essa mesma sensação. Em seus shows, Francis se sente em casa, brinca com a platéia, fala sobre suas composições despretensiosamente, como se estivesse batendo papo com os amigos nos botequins cariocas.

Simples e gentil, Francis convidou o público a se entregar aos sentimentos mais profundos ao tocar “Trocando em Miúdos” - a música, aliás, foi apresentada duas vezes, uma com Margareth Reali, e outra solo. Várias pessoas não conseguiram segurar o choro.

Com voz intensa e piano suave, Francis fez as pessoas se recordarem do passado, provocou dor, tristeza, ressentimento... Foi mais fundo ainda com “Atrás da Porta” e trouxe de volta os sorrisos com “Vai Passar”. O silêncio concentrado do público sinalizou o clima intimista do show, que, a exemplo da apresentação de Dóris Monteiro na última terça-feira, mexeu com os sentimentos de todos.

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