Tribuna do Leitor

ANIMAIS: UM PASSO ATRÁS


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Embora amparados por leis estaduais e federais, e tutelados pelo Estado, os poucos e árduos avanços não são assegurados aos animais. O artigo 32 da lei 9.605/98, que proíbe maus-tratos, crueldade e mutilação, é desrespeitado a olhos vistos: são cães presos o dia todo em correntes ou em canis, solitários, sem direito à locomoção; são sofridos cavalos usados em carroça, açoitados e explorados dia e noite; são cães cujas caudas e orelhas são cortadas, insensata prática perpetuada com o aval de proprietários e veterinários, que insistem em contrariar a lei acima; são os infelizes animais de circo que, por conta da alteração da lei bauruense 4.836/02, continuarão com o seu calvário de apresentações para divertimento do homem - um grande retrocesso; são, ainda, pássaros presos em gaiola, uma lástima, suas asas mortas e inúteis; são animais de rua, abandonados e doentes, sem um abrigo digno mantido pelo poder público; são cães sendo mortos em Bauru para contenção de doenças; são peixes vítimas da pesca “esportiva”, usados para lazer e uma “boa briga”, expostos como mercadoria no “Troféu Pescador”, seção de pescaria que desestimula o respeito ao animal.

A exibição de um peixe morto como troféu banaliza a vida do bicho e o reduz a um simples objeto, além disso, é fisgado em condições desiguais de força, covardemente. Peixe não é brinquedo de criança - nem de adulto -, sofre e sente dor, há estudos a respeito. O enfoque da seção de pescaria contraria os esforços deste mesmo jornal em defender a posse responsável e os direitos dos animais, a exemplo da excelente matéria veiculada no dia 11/10/04. Não seria o caso do respeitável Jornal da Cidade rever os valores éticos que norteiam essas equivocadas fotos?

Sem entrar, por ora, no campo mais grave do uso animal, como experiências científicas, tráfico, matadouros, caça e manejo nas fazendas, citaremos um fato recente: a direção da Arco tem anunciado que haverá rodeio na Grande Expo Bauru 2004. Outro passo atrás. Contra um laudo técnico-veterinário que defende essa prática como inofensiva ao animal, conhecemos mais de uma dezena atestando a crueldade dessa modalidade, que começa com os treinos, o transporte, e termina com os choques elétricos e agressões para conduzi-los ao brete, no qual, enfim imobilizados, neles são colocados os artefatos todos, entre eles o sedém. Saltam então premidos pela dor, pelo medo, pelas esporas.

E a brutalidade das provas de laço? Pobres bezerros! Há fotos e vídeos que comprovam isso tudo. Espera-se, pelo menos, que o público tenha acesso aos bastidores do rodeio, que o velho chavão, “por motivo de segurança”, não cause o impedimento das pessoas. É pagar para ver! (José Maurício Viana de Macedo - biólogo - RG 6.527.158; Vera R. Jeanete Cardoso - professora, ambientalista - RG 14.557.097)

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