“Agente faz isso
para brincar
com a cidade.” A
afirmação é deMárcia
(nome fictício),
uma das artistas responsáveis
pela famosa
joaninha - a
pedra pintada de
vermelho e preto -
da avenida Nações
Unidas.
Márcia cursa desenho
industrial na
Universidade Estadual
Paulista
(Unesp) e conta
que começou a intervir
a partir dos
painéis feitos em
jornal e espalhados
pela cidade com cola
feita à base de farinha.
“A primeira vez
que eu vi street art
eu nem sabia o que
era. Eu estava andando
pela cidade
e reparei que havia
alguns desenhos colados.
Como eu gosto
de desenhar,
achei bacana”, diz.
Posteriormente,
Márcia passou a
confeccionar adesivos
coloridos de vinil
(material utilizado
em banners) e espalhar
pela cidade,
principalmente em
telefones públicos.
Os temas mais
recorrentes nos adesivos
eram animais
e comestíveis. Mas o trabalho
de Márcia ficou mais conhecido
no meio através dos
palhaços coloridos colados
em orelhões.
“A proposta era de ser engraçado
mesmo. Se a pessoa
subisse a Duque de Caxias,
por exemplo, ela veria várias
coisinhas coloridas. É uma maneira
de enxergar Bauru de
uma outra forma, de uma forma
mais engraçada”, revela.
Um dos objetivos dos colantes
seria estimular a percepção
das pessoas que passam
pelo local. “O objetivo era
transformar Bauru num universo
paralelo para quem prestasse
atenção nisso. Era para a
pessoa viajar nessa idéia e
querer ver o que haveria no
próximo orelhão. Se eu andar
pela cidade e ver um colante,
eu vou querer ver mais e vou
ficar mais atenta”, destaca.
Os adesivos duravam pouco
tempo porque, segundo a
estudante, ou as pessoas pegavam
para levar para casa, ou
eles eram retirados por funcionários
de manutenção da empresa
de telefonia.
Já a “joaninha” da avenida
Nações Unidas foi pintada
por Márcia em parceria com
um colega de faculdade. “Eu
estava com um amigo, vi a pedra
branquinha e pensei que
seria muito legal fazer alguma
coisa nela.
A pintura foi realizada no
período da noite. O colega pintou
a parte vermelha e Márcia
fez os detalhes em preto. O
trabalho durou cerca de quatro
minutos. “Foi rápido, mas
ficamos com muito medo de
vir polícia ou de alguém falar
alguma coisa”, confessa.
Ela diz que não pretende
sujar a cidade. “A idéia é
brincar com as pessoas, fazer
com que elas fiquem maravilhadas
com aquilo ou que até
mesmo fiquem se indagando
se aquilo está certo ou não.
Ou apenas para a pessoa perceber
que ali existe uma pedra”,
expõe.