Bairros

Arte muda cenário urbano

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

- uma pedra do canteiro

central que foi pintada de vermelho

e preto? Iniciativas como

esta têm se espalhado por

Bauru e provocado a percepção

da população.

São colagens, pinturas, grafites

e poemas, entre outros tipos

de manifestações, que

aproximam o universo artístico

de qualquer cidadão que

passe por um muro, uma praça

ou um canteiro escolhido

como galeria para exposição

de um trabalho.

No caminho para o trabalho

ou para a escola,um desenho diferente

colado no muro que diariamente

passa despercebido

pode chamar a atenção do transeunte.

Esta é uma das intenções

da intervenção urbana:

criar momentos de reflexão.

“A arte contemporânea absorveu

todo esse tipo de manifestação

e isso se transformou

em linguagem”, expõe José

Marcos Romão da Silva, professor

do Departamento de Artes

da Universidade Estadual

Paulista (Unesp) e estudioso da

arte moderna e contemporânea.

“É diferente. E é bem melhor

do que a pixação porque

incentiva a pessoa a pensar

um pouco, refletir um pouco.

Eu acho bacana”, diz Cláudia

Tazaki, moradora do Jardim

Brasil, sobre uma frase de Cora

Coralina que decora o muro

de uma residência vizinha.

Para o titular da Secretaria

Municipal de Cultura, Sérgio

Losnak, a idéia das intervenções

urbanas é positiva. “Isso

faz com que a população tenha

contato direto com a arte. Além

disso, é muito mais agradável

do que as pixações ou até mesmo

a frieza da cidade”, avalia.

Entretanto, ele acredita

que alguns artistas poderiam

avaliar com mais cautela os locais

que escolhem para expor

seus trabalhos. “Vi umas paredes

que talvez não fossem os

locais mais adequados. Eu

acho que os artistas deveriam

ter a preocupação de preservar

a cidade”, argumenta.

O secretário sugere que os

artistas solicitem à Prefeitura

de Bauru autorização para utilizar

determinados muros e paredes

e garante que há a possibilidade

de destinar espaços

com essa finalidade na cidade.

“Temos espaços em que

estão fazendo grafite, por

exemplo. Até seria legal alguns

espaços serem preenchidos

desta forma. É só sentar

para conversar”, frisa.

Segundo o advogado Michel

de Souza Brandão, não

se pode mudar a característica

de um local público ou privado

sem autorização, mesmo

sendo através de uma manifestação

cultural.

“Isso não pode ser feito de

forma indiscriminada. A partir

do momento em que a área

é pública, não pode ser utilizada

sem autorização. A administração

pública tem de ser

consultada a respeito porque

o local público é de todos e

quem zela por isso é a prefeitura”,

argumenta.

Em propriedades privadas é

semelhante. “Ninguém pode fazer

nada no muro da minha residência

sem minha autorização.

Podem pintar o meu muro e eu

achar que ficou maravilhoso,

como também pode ocorrer o

contrário. Mesmo que seja um

terreno baldio, tem de pedir para

o dono”, diz.

Pichação, por exemplo, pode

configurar crime de dano.

Em propriedade particular, a

pena é de um a seis meses ou

multa. Em patrimônio público,

a pena é de seis meses a

três anos e multa.

No caso de uma manifestação

cultural, segundo Brandão,

a questão é polêmica.

“Pode não ser entendida como

crime. Depende do juiz

que examine”, expõe.

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