RH & Tendências

Drible rusgas no ambiente de trabalho

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

João e Maria só têm em comum o ambiente de trabalho. No campo pessoal, não compartilham das mesmas opiniões. Também pudera, a formação, a educação, o nível cultural e o temperamento dos dois são contrastantes. Além disso, João reclama da árdua competição profissional e Maria do estresse provocado pela necessidade de manter o emprego. Conclusão: volta e meia, os dois se desentendem.

A história é hipotética, mas a situação é cotidiana para qualquer profissional, embora a maioria evite falar sobre o assunto, especialmente publicamente. Mas se o contexto parece intransponível, as rusgas entre colegas de trabalho podem ser evitadas.

“Temos que lembrar que somos pessoas e, portanto, temos erros e acertos. O primeiro passo (para evitar conflitos no ambiente de trabalho) é compreender a posição dos colegas, o que não significa concordar com ela. Temos de colocar em prática o princípio da tolerância”, sugere o consultor de Recursos Humanos Alvaro Carvalho Munhoz, que há 52 anos trabalha na área.

Na opinião dele, as pessoas têm facilidade em observar suas próprias virtudes e apontar as falhas alheias. “Temos de olhar a pessoa como um todo”, reitera Munhoz.

Por pensar de modo semelhante, Cláudia Clavisio Santos, psicóloga organizacional e consultora em gestão de pessoas e sistema de gestão da qualidade Iso 9000: 2000, defende que os funcionários sejam pró-ativos, ou seja, se antecipem aos acontecimentos e transcendam obstáculos.

“Também devem trabalhar com um objetivo em mente e ter discernimento do que é importante e urgente. Parece uma frase bíblica, mas é preciso primeiro compreender para depois ser compreendido. Outra dica é criar uma energia positiva (na empresa) e a todo momento voltar-se para analisar (sua própria situação física, social, emocional e espiritual)”, recomenda.

De acordo com a psicóloga, ainda é preciso apurar a raiz do problema que resultou num desentendimento entre colegas de trabalho. “O conflito geralmente não tem uma causa isolada. Hoje as pessoas têm uma necessidade muito grande de manter seu espaço. Isso naturalmente está fazendo com que as pessoas percam o limite de respeito ao próximo”, afirma.

Munhoz acrescenta que a incidência mais freqüente de conflitos no campo profissional também é o preço que se paga pelo desenvolvimento e pela competição desenfreada.

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Diálogo é método de intervenção

Fofocas, divergências de opiniões, despeito do reconhecimento conquistado pelo colega e até ataques pessoais. Para resolver desentendimentos provocados por problemas dessa natureza, normalmente as empresas lançam mão do diálogo.

“Intervimos quando a questão interfere no trabalho. Ouvimos as duas partes separadamente. Depois, as colocamos téte-a-téte. Se não resolver, a medida mais drástica é a demissão”, explica o consultor de Recursos Humanos Alvaro Carvalho Munhoz, que felizmente não tem se deparado com “rusgas trabalhistas” no local onde atualmente presta serviços.

Na empresa onde a assessora de imprensa Beatriz Le Senechal exerce sua atividade, os casos de desentendimento também são raros. Segundo ela, o sistema de qualidade implantado pela empresa determina os procedimentos que cada funcionário deve adotar, o que ajuda a evitar conflitos.

“Houve um desentendimento, mas no âmbito pessoal. As partes foram chamadas para conversar”, informa. Além da entrevista pessoal, a psicóloga organizacional e consultora em gestão de pessoas e sistema de gestão da qualidade Iso 9000: 2000 Cláudia Clavisio Santos utiliza simultaneamente outros instrumentos para driblar eventuais discórdias.

“Dá para conciliar esses aspectos através de um projeto social, de desenvolvimento humano, com treinamentos e programas que tragam a família dos funcionários mais próximo da empresa”, explica.

No entanto, ela alerta que, em algumas situações, a própria direção favorece direta ou indiretamente ambientes conflitantes. “O gerente pode minimizar a situação conversando (com os funcionários) sem rodeios e com transparência tanto no diálogo quanto nas ações do dia-a-dia”, conclui.

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