Saúde

MS contra-indica bicos artificiais

Sabrina Magalhães (com Agência Saúde)
| Tempo de leitura: 3 min

O uso dos bicos artificiais de mamadeiras e chupetas tem sido cada vez mais contra-indicado pelos especialistas. A comodidade que esses objetos proporcionam desestimula o aleitamento materno e isso pode prejudicar o bebê em inúmeros aspectos.

Os movimentos que a criança executa para sugar o leite do peito da mãe são essenciais para o desenvolvimento de suas estruturas orofaciais. Eles fortalecem a língua e os músculos da face, além de “puxar” a mandíbula (que no recém-nascido é retraída) para a frente.

A forma de sugar os bicos artificiais é muito diferente da sucção no peito. O bico dos seios exige muito mais força e um posicionamento adequado da língua, lábios e músculos.

Quando o bebê usa bicos artificiais, ao ser colocado no peito, ele pode ter dificuldade para retirar o leite. Isso pode significar ganho inadequado de peso e deficiências nutricionais importantes. Além disso, o desmame precoce pode desencadear problemas dentários e até distúrbios na fala.

Na busca de incentivar a amamentação exclusiva pelo menos nos primeiros seis meses de vida e garantir a saúde das crianças, o Ministério da Saúde desaconselha o uso desses produtos e tem tomado várias medidas para coibir a utilização desnecessária destes bicos.

Uma delas é uma parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O acordo determina que as maternidades inseridas na iniciativa “Hospital Amigo da Criança” não ofereçam chupetas e mamadeiras aos recémnascidos. Nestas instituições, quando é necessário oferecer algum complemento ao bebê (quando o leite da mãe demora um pouco a descer), utilizam- se copinhos ou colheres.

No Brasil, existem leis específicas sobre esse assunto. O Distrito Federal é um exemplo, segundo o governo. Por meio da lei n.º 454/93, proíbe-se o uso de bicos, chupetas e mamamadeiras em todas as maternidades públicas e privadas.

“O interesse do Ministério da Saúde em relação à legislação é garantir um excelente padrão à saúde das crianças brasileiras”, destaca a coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno do ministério, Sônia Salviano, por meio da assessoria de imprensa. “Defender a norma significa defender a criança”, acrescenta.

Argumentos

Segundo especialistas, na maioria das vezes, quando os bebês utilizam bicos artificiais e mamadeiras paralelamente à amamentação, passam a não querer mais sugar o leite do peito ou sugam com menor intensidade. Assim, eles não conseguem retirar a quantidade de alimento necessária para sanar a fome e desenvolver- se adequadamente.

Esse é um dos fatores responsáveis pelo desmame precoce. Como os bebês não se sentem satisfeitos, choram de fome minutos após a mamada. Tal situação leva as mães a acharem que seu leite é fraco ou pouco. Preocupadas, acabam substituindo a amamentação pelos leites industrializados e fazem isso utilizando mamadeiras.

“A adoção de bicos e mamadeiras é considerada a principal causa do desmame precoce, que leva à perda de oportunidade de fortalecimento do sistema imunológico da criança”, alerta Salviano.

Com isso, aumenta a incidência de doenças, principalmente diarréias e problemas respiratórios como pneumonia e gripe. “As diarréias e os problemas respiratórios são as mais importantes causas de mortalidade em crianças com mais de 28 dias de vida e menos de 1 ano”, destaca.

Além de interferir no processo de amamentação, o uso de chupetas e mamadeiras também favorece a descida irregular dos dentes, aumento da incidência de cáries, infecções dentárias, distúrbios na fala e outras complicações.

O ministério adverte que muitas mães pensam que a chupeta é útil porque ajuda a acalmar o bebê. No entanto, pode apenas mascarar algum problema. O choro da criança é uma forma de comunicação. Pode ser um sinal de que algo não vai bem ou de que ela quer a presença de alguém, colo ou carinho.

“Quando uma criança chora, espera sempre como resposta um aconchego, um afago, e nunca ser condicionada a ficar calada com uma borracha na boca”, assinala Salviano.

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