Vi, alguns meses atrás, um homem tocar violão, apesar de lhe faltar o braço direito inteirinho. Foi algo fantástico, algo que me comoveu e balançou meu pensamento. Ele, sentando-se, punha o violão no colo; com a mão esquerda efetuava as posições e com uma palheta o que seria feito pela mão direita. Tocava criativamente e ainda acompanhava cantando. Inúmeras são as vezes que me ponho a pensar nesta cena que pessoalmente presenciei. E já tenho ouvido tantos casos de semelhante esforço e dedicação em prol de um bem, apesar da deficiência física. Acho até que é motivo de tristeza - e muito mais de vergonha - saber que nós, esbanjando saúde e possibilidades, temos preguiça. A juventude está murchando, quase inexiste, pouco faz, na flor da idade com o corpo envolto por uma brilhante saúde, mas com a mania de se achar incapaz para algo. “Não tenho tempo”, afirmam muitos. E criam mil e uma desculpas (para não dizer duas mil e duas) para não assumir um trabalho qualquer, que possa reverter-se em benefício à vida comunitária. Muitos evitam assumir compromissos porque os frutos demoram a vir. Ou nem vêm... não importa. O importante é semear. A colheita, que outro cuide em fazer. Faça cada um aquilo que lhe é cabível, que algo de bom pode acontecer na vida das pessoas. Aquele homem que vi tocando um violão, apesar de não ter o braço direito, é apenas um dos muitos casos de pessoas que podiam até se considerar inúteis, mas que deram a volta por cima. Hoje, elas mostram um exemplo diferente; não vale a pena ficar na escuridão da infelicidade do destino; o melhor é buscar a luz da realização, através do esforço pessoal alicerçado na força de vontade e na fé naquele que por nós nasceu na manjedoura de Belém: Jesus Cristo. (João Álvares - da Academia Bauruense de Letras)
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade