São Pedro começa a dar os primeiros sinais de que a temporada de chuvas está chegando e a sensação de medo e insegurança já ronda o cotidiano dos bauruenses, principalmente dos moradores de áreas consideradas críticas com relação a enchentes e inundações.
Para o coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, mais que grandes obras de macrodrenagem - algumas delas constantes do acordo entre a prefeitura e o Ministério Público (MP) no Termo de Ajustamente de Conduta (TAC) -, a cidade se livraria de uma série de problemas, e até de algumas tragédias, com realização de obras pequenas e de simples execução.
Para sustentar sua afirmação, Brito cita alguns exemplos. Um deles fica localizado na quadra 3 da avenida Alfredo Maia, palco de inundações recorrentes e até de tragédias – em 2001, uma enfermeira e um motoboy foram levados pela força da enxurrada e acabaram morrendo. No local, onde o córrego Água do Sobrado passa sob a pista da Alfredo Maia para desembocar logo à frente no rio Bauru, o passeio da calçada está todo rachado e ameaçado pela erosão e a mureta de proteção aos pedestres dá sinais de falência do concreto.
Para piorar, as margens do córrego acabaram virando um enorme depósito de lixo, o que pode comprometer ainda mais, segundo Brito, as condições de vazão da água em caso de uma chuva forte. “Isso representa um risco real aos pedestres e até para veículos e uma obra relativamente simples resolveria a questãoâ€, avalia.
Outra ação que poderia aliviar os riscos de enchentes após uma chuva forte, segundo o coordenador da Defesa Civil, seria o trabalho de desassoreamento dos leitos de córregos mais problemáticos, como o próprio Água do Sobrado. A prefeitura já realiza este trabalho com dragas em alguns córregos, mas Brito entende que somente uma grande ação resolveria a questão. Como são poucas máquinas, enquanto o trabalho é feito em um córrego, outros acabam sofrendo a ação natural de assoreamento.
Para Brito, a prefeitura deveria contratar uma empresa terceirizada para “dragar†todos os córregos, numa grande empreitada, e posteriormente, com os recursos de que dispõe, realizar apenas o serviço de manutenção nos pontos que se tornassem mais críticos. Segundo ele, este tipo de ação foi feita na cidade pela última vez em 1994. “A (avenida) Alfredo Maia já sofreu 25 enchentes apenas neste ano e, desde 2001, quando bauruenses aqui morreram, o cenário não se alterou em nadaâ€, lamenta.
Outra ação citada pelo coordenador da Defesa Civil que poderia amenizar o problema das enchentes seria a de limpeza das bocas-de-lobo. Neste aspecto, porém, Brito lembra que, além do empenho do poder público em limpar o maior número possível de bueiros, a contribuição da população é fundamental.
Segundo ele, das cerca de 20 mil bocas-de-lobo da cidade, 3 mil já foram limpas desde junho. Deste total, um terço já está entupido novamente devido ao lixo que é jogado nas ruas. “Muita gente, infelizmente, ainda joga lixo nas ruasâ€, admite Brito, lembrando que bueiros entupidos aumentam em 40% a possibilidade de um local ser inundado.
Brito aproveita para reforçar as recomendações para que, durante os temporais, a população não atravesse lâminas d’água e evite os locais críticos estudando antecipadamente rotas alternativas. “Enquanto elas (obras) não vêm, a população terá de conviver com esta situaçãoâ€, diz.
Ele lembra que a prefeitura perdeu uma excelente oportunidade de realizar tais obras durante os últimos três meses de estiagem. “Em 15 de dezembro, a Defesa Civil entra em alerta para os temporais e aí não dá mais para fazer as obrasâ€.
Pontos críticos
Para este ano, o coordenador da Defesa Civil destaca que, apesar de algumas obras listadas no TAC (leia mais ao lado) teriam amenizado a situação de risco em alguns locais, alguns pontos da cidade merecem atenção especial em caso de chuvas torrenciais. Os principais são a própria avenida Alfredo Maia, a sempre problemática Nações Unidas e a favela do Parque Jaraguá, que fica à beira do córrego da Grama.
Ele vê ainda um perigo iminente no Jardim Filomena, na região Oeste da cidade, em função da grande deposição de entulho próximo ao leito do córrego da Grama.
Segundo ele, se este entulho “descer†até a ponte da rua São Sebastião, haverá o represamento do córrego e 12 das 43 casas do Jardim Filomena serão inundadas. Ele sugere que a prefeitura atue com maior rigor para impedir que caminhões continuem depositando entulho no local.
Brito ressalta que o estoque da Defesa Civil para enfrentar situações de emergência (colchonetes, lonas) está baixo, mas que o processo de compra já está em andamento. Dois ginásios municipais (Bela Vista e Santa Luzia) também já estão reservados para eventuais desabrigados pelas chuvas.
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Previsão do tempo
A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) para hoje é de tempo nublado a parcialmente nublado com pancadas de chuva, com temperaturas mínimas entre 16 e 18 graus e máximas variando entre 25 e 27 graus. Para amanhã, a tendência é de nebulosidade variável com pancadas de chuva em pontos isolados à tarde e temperaturas estáveis.
Na quinta e sexta-feira, a tendência é de céu com poucas nuvens sem previsão de chuva. Ontem, segundo a medição feita pelo IPMet, a chuva acumulada em Bauru foi de 15 milímetros. Desde o início da primavera - dia 22 de setembro - até ontem à tarde, a chuva acumulada em Bauru é de 115,1 milímetros, de acordo com o meteorologista Adelmo Correia.
Apesar da concentração de chuvas nos últimos 15 dias, os números estão dentro do esperando. A média história de chuva em setembro em Bauru é de 74 milímetros e em outubro, de 120 milímetros. O IPMet já havia previsto que a primavera seria chuvosa.
Ieda Rodrigues