A burocracia e a complexidade são os principais entraves para a implementação do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE) apontados por representantes do setor produtivo de Bauru ouvidos pelo JC. Para o segmento, a iniciativa do governo federal não vingou e ficou restrita ao marketing.
“Eu desconheço (quem tenha aderido ao programa). É mal formulado, não emplaca. É complexo no sentido burocrático e dos pré-requisitos para formalizar a contratação. Ele precisa ser revisto. A grande realidade é que são medidas artificiais. A empresa só contrata se tiver necessidadeâ€, diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio) e vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Walace Sampaio.
Na opinião dele, só o desenvolvimento sustentável da economia e a desoneração da folha de pagamento são capazes de criar novos empregos. “O resto é demagogiaâ€, critica. Concorda com ele o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, que classificou a iniciativa do governo federal de “pirotécnicaâ€.
“O problema do emprego se resolve com oferta de crédito a custos mais baratos, desburocratização da máquina tributária e com políticas governamentais que objetivem controlar a inflação aumentando a oferta de bens e produtos, e não promovendo a escassez do créditoâ€, diz.
De acordo com ele, assim que o programa foi lançado houve interesse do segmento em sondar e pesquisar o assunto, mas Coube também desconhece qualquer iniciativa bem sucedida de contratação pelo programa. Mas um olhar regionalizado poderia ajudar o PNPE a decolar, defende o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino.
“Eu não acredito (nele) como programa nacional, mas sim como regional. Se o poder público não criar incentivos fiscais que possam motivar a empresa a gerar emprego, fica difícil. Antes de gerar o primeiro emprego, o município tem de gerar emprego (para quem perdeu)â€, ressalta o economista Wagner Ismanhoto.
Enquanto isso não acontecer, Vítor Húngaro Sampaio Aguillar, 18 anos, e Carlos Ferreira da Silva, 19 anos, vão continuar gastando sola de sapato até encontrar quem os contrate. Há sete meses, os dois sonham com a oportunidade de adquirir a tal experiência profissional, que lhes é tão cobrada nas entrevistas.