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Decreto tomba o Palácio das Cerejeiras

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O Palácio das Cerejeiras, sede da prefeitura, terá suas características arquitetônicas externas preservadas. O decreto que tomba o prédio foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Município (DOM) e condiciona qualquer modificação externa no imóvel à autorização do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

O prédio foi projetado pelo paulista Zenon Lotufo em 1953, a pedido do então prefeito Nuno de Assis. As paredes, portas, janelas originais de ferro, colunas, brises, pátios externos e jardins idealizados pelo arquiteto não poderão ser alterados.

Caso o imóvel seja pintado ou restaurado sem anuência do Codepac, a prefeitura terá que pagar multa de 1% a 20% sobre o valor do prédio. O índice será definido pelo próprio conselho.

A notícia do tombamento é comemorada pelo professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ex-presidente do Codepac, Nilson Ghirardello. “O prédio da prefeitura é um belo exemplo de arquitetura moderna”, comenta.

O memorialista Luciano Dias Pires também aprova a preservação do Palácio das Cerejeiras. Ele lembra que o prédio foi concluído apenas na segunda gestão de Nuno de Assis, em meados dos anos 60. Nesse intervalo, a cidade foi governada por Nicola Avalone Jr. e Irineu Bastos. “Quis o destino que ele começasse a obra e depois a inaugurasse”, recorda.

O historiador Irineu Azevedo Bastos, filho do ex-prefeito Irineu Bastos, afirma que a quantidade de dinheiro necessária para o término do imóvel foi o fator que fez com que ele demorasse cerca de dez anos para ficar pronto. “Na época, era um investimento muito grande para Bauru”, comenta.

O projeto original de Lotufo previa, além da sede da prefeitura, mais dois prédios, um deles destinado à Câmara Municipal. O espaço acabou sendo ocupado por jardins.

Praça Rui Barbosa

O DOM de ontem também traz o decreto que tomba um imóvel de dois pavimentos localizado no cruzamento das ruas 1.º de Agosto e Antônio Alves. A exemplo do Palácio das Cerejeiras, o prédio terá suas paredes, portas e janelas originais de madeira e adereços em argamassa preservados.

â€œÉ um prédio eclético, mas que poderia estar mais valorizado se estivesse melhor conservado”, analisa Ghirardello.

De acordo com ele, sobe para 17 o número de imóveis tombados em Bauru. Há cerca de outros 30 prédios aprovados pelo Codepac e que aguardam a publicação de decretos para que possam se transformar em patrimônio histórico e cultural do município.

Ele lembra, ainda, que o conselho está avaliando outros imóveis para confirmar a viabilidade de seu tombamento. É o caso, por exemplo, da residência onde morou o dramaturgo Mauro Rasi.

Atualmente, o Codepac está sem presidência, pois o mandato dos atuais membros do conselho venceu em agosto e o órgão só voltará a reunir quando a lista dos novos integrantes for publicada no DOM.

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