Regional

'Pressão' leva detento ao suicídio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Avaí - Alegando não estar agüentando a “pressão”, o preso Amarildo Silvério da Cruz, 33 anos, provocou a própria morte na Cadeia Pública de Avaí (39 quilômetros a noroeste de Bauru), ontem, por volta da 1h30. Ele se enforcou com o uso de uma “teresa” (corda feita com tecidos) amarrada nas grades da cela.

Antes de cometer o suicídio, ele escreveu uma carta à família pedindo perdão pela atitude e para dizer que não estava agüentando a pressão e que não teria cometido o crime do qual é acusado. Cruz estava preso desde o último sábado.

Ele cumpria pena de sete anos e seis meses por estupro. A condenação foi decretada em 1996 e desde então o acusado estava foragido. Ele foi localizado pela polícia no sábado passado durante uma operação de trânsito.

O carro em que estava foi abordado pelos policiais e, com a documentação em mãos, eles descobriram que Cruz era procurado pela Justiça. Ele foi levado para Avaí e permaneceu até ontem em uma cela separada dos demais presos por uma questão de segurança. Junto com ele estava apenas mais um preso, acusado de homicídio.

De acordo com o delegado José Firmino de Oliveira, a população carcerária, de um modo geral, não aceita estupradores, por isso eles precisam ser separados. Caso contrário, estariam sujeitos a represálias dos demais presos o que poderia terminar até mesmo em morte.

Cruz era morador do bairro Bauru 16, segundo informou a Polícia Civil de Avaí. Ele era casado e tinha dois filhos. O crime teria ocorrido em 1995, em Bauru.

No dia anterior ao suicídio, um carcereiro teria conversado com Cruz e o mesmo não teria demonstrado nenhum comportamento que pudesse levantar suspeitas de que pensava em se matar. De acordo com o carcereiro, o preso conversou normalmente e chegou a perguntar quando seria transferido para uma penitenciária.

Segundo o delegado, o pedido de transferência já havia sido feito e ele estava aguardando uma resposta da Secretaria de Administração Penitenciária.

O companheiro de cela também disse não ter percebido nada de estanho em Cruz. Quando ocorreu o suicídio, ele contou que estava dormindo e não teria visto nada.

Ontem mesmo foi aberto inquérito para apurar o ocorrido. O delegado informou que terá 30 dias para concluir a investigação.

O corpo foi periciado pela Polícia Técnica, em seguida encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e depois liberado para a família.

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