Rural

Animais da Expo têm tratamento vip

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Eles têm tratamento vip. Tomam banho e são escovados diariamente, comem ração balanceada, ficam em cocheiras e piquetes especiais, têm acompanhamento veterinário e estão sob os cuidados de tratadores 24 horas. Protagonistas da Grand Expo Bauru, os bovinos que fazem parte do gado de elite são um exemplo de que também no mundo animal o homem estabeleceu diferenças de classes.

Ao lado dessas grandes estrelas, que são utilizadas como matrizes e reprodutores e vivem participando de exposições, os animais de pasto são verdadeiros ‘excluídos’. Estão expostos às intempéries da natureza, alimentam-se de capim, tomam banho só de chuva e, quando viajam, muitas vezes têm como destino o frigorífico - ou seja, o abate.

Em veículos mais confortáveis, o gado de elite passeia bastante, mas para ter sua beleza exposta nos grandes eventos. Valiosos, existem animais que são donos de agendas cheias e chegam a participar de cerca de dez exposições ao ano, nas mais diversas regiões do País. “Tem animal que já entra na carreta com vontade de viajar”, brinca Manoel Paixão, responsável pelo gado da Fazenda Três Marias, do Espírito Santo. Segundo ele, as estrelas são transportadas em carretas especiais e bem equipadas.

“O gado de elite nasce e já começa a ter um tratamento diferenciado. Já o boi de pasto vive no campo a vida toda, comendo o capim da região. Ali ele cresce e aos 24, 30 meses é abatido no frigorífico”, compara Paixão.

Em geral, a elite bovina também tem um tempo de vida mais longo. Porque além de serem bem cuidados, os campeões têm o reconhecimento de seus donos e mesmo quando se aposentam não são abatidos, muito pelo contrário: são tratados como bichos de estimação.

“Os criadores tratam bem esses animais desde pequenos. São animais que têm uma genética melhorada. Então há uma alimentação especial, um manejo especial para que esses animais se tornem estrelas”, diz Luciane Costa Kahale, coordenadora da área de bovinos da Grand Expo Bauru.

“Eles fazem parte da ponta da pirâmide. São matrizes e reprodutores, que vão produzir tourinhos, que vão produzir animais de corte, que vão para o frigorífico”, completa.

Paixão lembra que os animais de elite possuem inclusive ‘carteira de identidade’, com data de nascimento e nome dos pais. “Você tem toda a genealogia do animal. Ele é identificado em qualquer lugar do mundo”, diz o especialista, destacando que a média de gastos mensais com cada animal seria de cerca de R$ 300,00.

“Um bicho desses tem muito mais trato do que a gente. Se ele passa mal, por exemplo, você liga para os homens e o atendimento é imediato”, conclui o tratador Jaldeci Correia, da Fazenda Três Marias.

Redobrado

Segundo a coordenadora de bovinos da Grand Expo, quando os animais saem de suas fazendas para participar das exposições, os cuidados dispensados pelos tratadores são redobrados.

“Isso porque a viagem, o local fora da fazenda, a mudança de clima podem causar estresse no animal, apesar deles já estarem acostumados a andar em exposições”, destaca a coordenadora, lembrando que durante os eventos os tratadores dormem em redes ao lado do gado e cuidam das estrelas dia e noite.

Além do banho com xampu especial e escovação várias vezes ao dia, outros detalhes do manejo incluem a manutenção do chifre e casco do animal. “Além de manter o gado bonito, o manejo diário do tratador com o animal ajuda no temperamento. O animal torna-se mais dócil”, diz Luciane.

O gado especial também recebe tratamento de saúde de primeira classe, com direito a vacinas e vermífugos constantes.

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Apego

“Muitas coisas que a gente fala o animal ouve e obedece. Conforme você dá carinho, ele retribui”. A frase do tratador Dieres Carlos de Castro, 22 anos, demonstra a relação de afeto e confiança que esses profissionais estabelecem com os animais sob sua responsabilidade.

Na fazenda em que o tratador trabalha, em Pirajuí, uma das estrelas é o reprodutor Apolo, que segundo ele, estaria avaliado em R$ 250 mil. “Ele vem ganhando todas (as competições)”, diz o tratador, visivelmente orgulhoso. Apolo, que pesa 1.110 quilos, toma banho duas vezes ao dia e é escovado constantemente. “A gente nunca descuida dele”, garante.

Segundo Manoel Paixão, responsável pelo gado da Fazenda Três Marias, além dos tratadores, também os criadores de gado de elite criam um vínculo sentimental com os animais. “Os animais são motivo de orgulho para a gente. Eles recebem muito carinho”, afirma.

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