Tribuna do Leitor

Um tiro no escuro


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O número de homicídios praticados por armas de fogo no Brasil é um dos maiores do mundo. Diante deste clima de medo, o governo federal acionou o gatilho e atirou visando o desarmamento da população. Tal fato gera acaloradas discussões entre o povo brasileiro. Nesse contexto, há argumentos para ambos os lados. Muitos afirmam que a inépcia estatal no âmbito da segurança induz o armamento de civis. E são favoráveis a tal acontecimento, pois acreditam que somente desta forma conseguirão ficar livres da ação de marginais.

Por outro lado, há uma parcela popular que patenteia o controle rigoroso da comercialização e do porte de armas. Estes têm sua tese embasada em dados de pesquisas. Nelas, a arma de fogo é apontada como o principal instrumento responsável por acidentes familiares e homicídios banais. Além de passar uma falsa sensação de segurança aos seus portadores. Inegavelmente, qualquer tipo de arma é um inimigo à paz pública. Conseqüentemente, todo o processo de armamento por parte dos civis deve ser combatido. A gênese desse problema reside na presença nula do Estado como promotor da cidadania. Assim, o cidadão se sente no direito legítimo de defender a sua família e a ele próprio. Mas não podemos esquecer que, na verdade, ele está contribuindo para o aumento desta chaga sócia, já que se torna alvo fácil de ladrões, que lhe tomam a arma e realimentam a criminalidade.

Em suma, as armas têm por propósito ceifar vidas. E na atmosfera social que o País atravessa, o porte delas por civis constitui um tiro no escuro para a segurança dos mesmos. Portanto, a campanha de desarmamento é bem-vinda e deve continuar. Porém, só ela não basta. É imperativo que as polícias sejam reformadas e integradas de modo que o Estado seja voz atuante na segurança pública.

Vinicíus Augusto Gil - RG 33732151-6

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