Todo ano é a mesma coisa. Quando a Grand Expo Bauru se instala no Recinto Mello Moraes, a rotina dos moradores do Jardim Ferraz, principalmente, muda completamente. As noites quase sempre silenciosas dão lugar aos ruídos provocados pela intensa movimentação de veículos, pedestres e pelas atrações da feira.
Apesar do incômodo que tudo isso possa criar na vizinhança do recinto, há muitos moradores que lucram com a chegada da exposição e se divertem acompanhando o vai-e-vem das pessoas, dos carros, dos ônibus e também ouvindo, dentro de casa ou sentados nas calçadas, os shows dos artistas famosos.
É o que fazem, por exemplo, a dona de casa Dolores Gandara Sedano e o marido Raphael Sedano Peres. Há 15 anos no bairro e morando a cerca de 50 metros do recinto, eles disseram que já se acostumaram com a movimentação e acompanham tudo sentados em cadeiras de praia na frente de casa.
Para eles, o barulho não é nenhum incômodo, ainda mais quando a atração musical da noite é algum cantor ou dupla sertaneja. “Eu adoro música sertaneja. Daqui da calçada não dá para ver nada, mas dá para ouvir (as músicas) perfeitamente”, comenta Dolores.
Já o marido conta que, indiretamente, ganhou bastante dinheiro com a Expo. Antes de parar de dirigir, ele revela, quando terminava a feira, era contratado para fazer o transporte de barracas para cidades onde outra exposição agropecuária estava sendo montada.
Hoje, devido a problemas de saúde, ele não dirige mais. Mesmo assim, não se desfez do caminhão, que está estacionado no quintal, como uma relíquia do passado.
A moradora Bianca Moreira da Silva mudou-se para o bairro há seis meses. Para ela, a movimentação gerada pela Expo ainda é uma grande novidade.
Da casa dela dá para ver a roda gigante, o kamikase e outros brinquedos do parque de diversões. À noite, tudo fica iluminado e é um atrativo à parte. Assim como Bianca, a vizinha dela, Tânia Cristina da Silva, também está vivenciando pela primeira vez toda a agitação da Expo. Já para a moradora Márcia Francisca Bento, essa é a segunda vez.
Apesar do barulho, elas dizem que não têm problema para dormir. Mesmo morando perto do recinto, as três revelam que preferem ficar em casa, apenas ouvindo o que acontece dentro da Expo. Elas alegam que a despesa com os filhos, por causa da comida e dos brinquedos, é grande e, por isso, evitam visitar a feira.
Elas até decoraram a seqüência das atrações. Por volta das 21h começa o rodeio, com o locutor narrando com entusiasmo incontido o sucesso (especialmente este) ou o fracasso dos peões na arena. Em seguida, começam os shows musicais e, depois, o baile.
Segundo o morador Rodrigo Monteiro da Silva, um detalhe importante notado a partir do início da feira foi a presença mais ostensiva de policiais no bairro. Na opinião dele, isso faz com que a vizinhança se sinta mais segura, uma vez que é grande a quantidade de pessoas estranhas que passam por lá durante a Expo.
Silva conta que às vezes fica incomodado com tanto barulho, mas acaba ponderando que a cidade é tão carente de eventos deste porte, no qual é possível levar a família, que “vale a pena passar pelo sacrifício”.