Muito antes de atrair ricos e famosos, Trancoso foi o paraíso de hippies e naturalistas, como um alemão que em 1817 descrevia seus encantos: “Trancoso é uma vila índia, edificada numa longa praça. No meio fica a Casa da Câmara, e na extremidade ao lado do mar, a igreja que foi convento de jesuítas. Depois da dissolução da ordem, o convento foi demolido e a biblioteca dispersada ou destruída. Tem cerca de 50 casas e 500 habitantes, todos índios, além do padre, do escrivão e de um mercador”.
Dos anos 70, época da paz e do amor, e de 1817, resta na vila o Quadrado, os imóveis coloridos tombados pelo Patrimônio Histórico que relembram a povoação jesuítica e a igrejinha construída em cima das ruínas do convento, em 1586.
Entre e admire o púlpito, a escada de madeira e as pias de água benta em pedra rosa, que são originais.
É através do Quadrado que se chega às suas inúmeras praias paradisíacas que totalizam 12 quilômetros, entre elas a Lagoa Azul.
Distante apenas um quilômetro da praia de Pitinga, pertencente à vizinha Arraial d’ Ajuda, a Lagoa Azul é uma das mais concorridas de Trancoso.
Além de linda, dizem ter propriedades medicinais, por conta da argila branca existente no fundo da lagoa. Aproveite a dica e se lambuze para que ocorram os efeitos positivos.
Na seqüência vem Taípe, uma praia tranqüila, cercada por falésias de até 20 metros de altura. O mar é aberto e batido com ondas altas, bom para a pesca de arremesso.
Como fica isolada, deserta, Taípe é a praia ideal para quem quer curtir o sol como veio ao mundo, mas com conforto, já que há barracas com serviço de bar e restaurante, self-services, banheiros e estacionamento.
O acesso à praia onde também ocorre a desova de tartarugas marinhas, é feito por automóvel pouco antes de se chegar à ponte sobre o rio Taípe, distante 12 quilômetros de Arraial d’ Ajuda.
Espelho das Maravilhas, Nativos, Coqueiros, Rio da Barra, Pedra Grande, Jacumã, Setiquara e Curuípe são outras praias de Trancoso que ficam entre a vila e a sossegada Caraíva, onde ainda não lá luz elétrica e nem precisa.
Todas encantadoras e diferentes do que se encontra em Porto Seguro: nelas não se ouve axé, somente jazz, MPB e bossa-nova, os restaurantes incorporaram o shoyu no cardápio ao invés do leite de coco e as pousadas são para vips, com direito a lençóis de algodão egípcio e camas king size.
A do Baiano (www.pousadadobaiano. com, tel. (73) 668-5020), por exemplo, que fica na praia Espelho das Maravilhas, costuma ser visitada por nada mais nada menos do que a família Fitipaldi e estilistas premiados, como Tufi Duek, dono da Forum.
As praias de Curuípe e Espelho, onde os ônibus de turismo são proibidos de entrar para que os hóspedes tenham privacidade, são prolongamento uma da outra.
Um convite para o desfrute por conta da maré baixa e da água que tem tonalidade verde, transparente, refletindo os raios do sol como um espelho. Daí o nome.
A areia é fina, macia ao toque e por quilômetros há coqueiros se encarregando da sombra e da água fresca. A sensação é de paz total no caminho que passa por pousadas que são puro charme e oferecem aos turistas redes preguiçosas e almofadões encapados com chitas multicoloridas.
E também uma culinária premiada e cara. Um prato de peixe com acompanhamentos servido sobre folha de bananeira não sai por menos de R$ 80,00 e uma caipirinha por R$ 15,00.
Chegar a Espelho não é fácil. Somente quem mora na região sabe os atalhos. Portanto, em Porto Seguro ou Arraial d’ Ajuda é preciso contratar os serviços de um motorista profissional. Ou recorrer aos passeios oferecidos por empresas especializadas em ecoturismo como a Eco & Adventure, tel. (73) 575-8500, ramal 417, a cargo de Luís Becker e Viviane Bernardes, que tem sede no Arraial d’ Ajuda Eco Resort.
Também pode-se chegar até as praias mais escondidas e mais bonitas da região, em programas de um dia, através de lancha, com duração de quatro horas.
Chegando lá, esqueça as preocupações do dia-a-dia e entre de cabeça no clima do local que tem sol 100 dias do ano.
Falésias e tranqüilidade
Rio da Barra é outra área deslumbrante no caminho de Trancoso. Do lado direito, o rio da Barra mostra uma paisagem de manguezal, uma grande extensão de praia plana e coqueiral muito verde.
Antes da Barra, o rio forma uma enseada muito procurada por quem gosta de banho em águas tranqüilas. Do outro lado as praias avançam contra as falésias.
Nativos, Coqueiros, Itapororoca e Rio Verde ( com Espelho, no caminho) são, na seqüência, as praias do litoral Sul de Trancoso.
As praias do Nativos e do Coqueiros, circundam o outeiro onde está o vilarejo. Ambas estão protegidas pelo rio Trancoso e por um extenso manguezal que impede a passagem de automóveis.
Nelas também está a maior concentração de barracas de praia.
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Bom, bonito e barato
Hospedar-se na praia do Espelho exige “cacife”. Suas pousadas transadas têm diárias em torno dos R$ 300,00 e meses antes do réveillon se anunciar já estão “fechadas” para grupos de endinheirados que costumam freqüentar as colunas sociais.
Mas detalhes como esse não impedem que o turista comum, que compra uma passagem aérea ou um pacote, deixe de conhecer Trancoso.
Basta optar por hotéis e pousadas mais simples, mas igualmente corretos. No Quadrado ou em torno dele, existem locais legais, com lençóis cheirosos, cama macia e comida saborosa.
No item alimentação, quem quiser comer bem e barato tem como opções o Silvana e Cia e o Oricana, na praça do Quadrado, que servem pratos típicos e caseiros. O Pé de Frutas serve o melhor café da manhã extra hospedagem enquanto o lanche pode ser feito na Quitanda da Bahia.
Na madrugada o point da juventude fica entre a discoteca Páraraio e o Louco lanches.
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Programa de índio
O velho ditado comanda: quem tem boca, vai a... Trancoso.
Hoje, por conta da estrada asfaltada que liga Arraial d’ Ajuda a Trancoso, é possível, para os mais aventureiros, atingir a praia do Espelho e Caraíva, a vila encantada da terra dos coqueiros.
A ordem é seguir estrada adentro, passando pelo acesso ao Club Med de Trancoso e seguir as placas por estrada de terra.
Pelo caminho, cruzam-se mangues, vilarejos rústicos e até uma aldeia indígena, a Imbiriba, onde os nativos vendem artesanato, pedem “caimbás” (dinheiro) aos turistas e dançam vestidos com colares e trajes típicos.
Se a viagem coincidir com a estação das chuvas, melou. É preciso paciência para a estrada voltar ao normal para seguir em frente.
Daí vem o remorso por não ter contratado um motorista e ter partido a bordo de picapes com ar condicionado e gente especializada.