Pesca & Lazer

História de pescador: Pintado com redemoinho


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“Tive somente uma experiência como pescador em rio de grande porte e com tralha profissional. Foi no rio Miranda, em Mato Grosso, em 2001, em um mês de setembro. Antes, minhas tentativas de pescar ficaram restritas a manusear varinhas de bambu com minhoca e anzol para fisgar lambari em um córrego pequeno da pacata Itaberá, no Interior de São Paulo.

No Miranda, pude ver que de pesca não sei nada e que esta “não é minha praia”. Foi um passeio fascinante. A exuberância da região encantou tanto quanto a emoção de manusear tralha com molinete, usar isca branca e buscar os melhores pontos daquele mar de água doce do Miranda com piloteiro em bote a motor logo a partir das primeiras horas da madrugada.

Inexperiente na pescaria, contei com a paciência do piloteiro da região até na hora de colocar a isca adequadamente no anzol. Foram horas de desastroso manuseio do molinete, razão pela qual, talvez, os peixes não “caiam” na minha isca. A primeira experiência em pescaria de grande porte teria passado sem nenhum contato com o objetivo principal da atividade (iscar um pintado, por exemplo) se não fosse a força da frase “o peixe morre pela boca”.

No final da tarde do único dos três dias em que me aventurei a brincar de pescar, já com o braço cansado de molhar a isca no rio, disse ao piloteiro: “Desliga o motor e solta o bote rio abaixo que vou pegar um pintado que vai fazer redemoinho na água e arrastar a gente”.

Paciente, o piloteiro soltou o bote não antes sem deixar de dar um sorriso largo de desdém, aquele que transmite a sensação de causas impossíveis.

Mas, pasmem, minutos após o início do “passeio” rio abaixo eis que sinto um tranco enorme na vara. O piloteiro gritou: puxa, puxa! Atendi à dica por pura reação de reflexo, passando a sentir um peso enorme nos braços.

Foram mais de 20 minutos sentindo aquela sensação que todo pescador saberia descrever. Assustado e com os braços cada vez mais pesados pela força que fazia no manuseio da vara, só tive tempo de tentar seguir, sem nenhuma técnica, às orientações do piloteiro que, entre risos e dicas, torcia para que o animal não se livrasse do anzol.

Os minutos de briga pareceram uma eternidade. O peixe virava literalmente o pequeno bote, com uma força que parecia capaz de nos conduzir rio adentro.

Quase desisti. Mas o piloteiro foi muito sensato em não me tirar das mãos uma sensação ímpar. Quem é pescador sabe o que estou dizendo. Ao final, saiu do Miranda um Pintado de pouco mais de três quilos. Pequeno para muitos, mas uma baleia para mim que, até então, só sabia o que era fisgar um lambari!

Nélson Gonçalves – jornalista

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