Ter um animal campeão em feiras agropecuárias, como a Grand Expo Bauru, é para os criadores de gado sinônimo de muito dinheiro no bolso. Com esse estatus, os animais passam a ser valorizados, principalmente seus descendentes, e a receber convites para participar de outras feiras País afora.
Mas o que faz de um animal um grande campeão? O que o diferencia dos demais na hora do julgamento? De acordo com o juiz William Koury Filho, de Garça, os aspectos que mais são levados em consideração na hora do julgamento são a relação peso e idade, as características da raça e as funcionais.
Um boi é considerado “top de linha” quando chega a pesar 17 arrobas (255 quilos, aproximadamente) com apenas dois anos de existência. Quanto mais precoce, melhor.
Segundo o produtor Jayme Santos Miranda, normalmente, um boi chega a esse peso em dois anos e meio.
No quesito características da raça, os juízes avaliam a beleza do animal, sua pureza racial, comprimento, o cupim e aspectos sexuais. Para ser um vencedor, o animal tem de ressaltar sua feminilidade ou masculinidade.
Segundo Koury, isso pode parecer estranho mas é um detalhe que tem grande importância durante o julgamento. Segundo ele, os testículos (no caso do boi) e a vulva (no caso das vacas) têm de apresentar bom desenvolvimento.
Uma das finalidades do julgamento é premiar os animais com melhores condições de procriar e assim aumentar a oferta de rebanhos geneticamente saudáveis e melhorados nos pastos brasileiros.
“Neste universo (de animais que são levados a julgamento nas exposições agropecuárias), nós temos que identificar aqueles que vão contribuir para a melhora da agropecuária nacional, que é voltada, preponderantemente, para o sistema produtivo em pasto”, argumenta Koury.
Por esse motivo, quanto melhor for a característica física do animal, mais chances ele terá de levar o título de campeão.
Na hora do julgamento, eles são divididos em grupos de no máximo 12 animais, separados por sexo e idade. São várias categorias, e em cada uma é escolhido um vencedor.
Ranking
O criador Jayme Miranda participa de exposições há 35 anos. Ele viaja o País inteiro com seus animais em busca de uma premiação que possa colocá-lo entre os principais fornecedores de gado nelore.
Ele contou que a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), da qual é diretor, mantém um ranking nacional onde estão os animais mais premiados do País.
Fazer parte desse ranking é o desejo de praticamente todos os criadores. A classificação dá visibilidade e ajuda a atrair compradores. Miranda explicou que a associação permite que apenas os melhores resultados sejam incluídos no ranking. Ou seja, os criadores podem participar de quantas feiras quiser, mas no ranking é registrado apenas seu melhor desempenho. Na opinião dele, isso incentiva os criadores a participar das exposições.
Miranda é dono, atualmente, de 1,2 mil cabeças de gado. Todas da raça nelore, que segundo ele é a que domina o pasto brasileiro. Ele calcula que de todo gado existente hoje no País, 80% é nelore.
O maior interesse dele, como criador, não é vender os animais para o abate. O que mais lhe atrai é a comercialização do sêmen, do embrião ou do animal vivo.
Miranda acredita que em pouco tempo os criadores brasileiros estarão exportando nelore. Para isso acontecer, falta acabar com os focos de aftosa e conseguir produzir em grande escala animais de dois anos de idade com 17 arrobas, que é considerado o “top” do momento em todo o mundo.