Uma articulação entre os administradores eleitos na região é a proposta do futuro prefeito de Bauru, Tuga Angerami (PDT), para encontrar condições de potencializar o agronegócio e fazer desse setor do Estado, o 2.º polo cítrico. “Eu acho que a gente não deve ter uma postura contemplativa. Os prefeitos têm que buscar uma articulação entre si e criar condições para tornar a região o pólo cítrico mais importante do Estado. Temos que contribuir para que isso ocorra.”
Na opinião dele, não há como pensar em desenvolvimento, sem pensar na região. Como exemplo ele cita a instalação da indústria Aginomoto na vizinha cidade de Pederneiras. “O desafio é identificar a cadeia produtiva e verificar de que forma cada cidade vizinha pode se beneficiar.”
A identificação da cadeia pode gerar, na opinião dele, a necessidade de instalar uma empresa de embalagens, por exemplo. “Se ela precisa de um tipo de embalagem que não tem na região, podemos pensar em buscar esse tipo de empresa para se instalar por aqui.”
Tuga acredita também que o desenvolvimento do turismo na região poderá trazer benefícios para Bauru. “Itapuí tem potencial turístico, mas não tem rede hoteleira. Os turistas podem ficar hospedados em Bauru e praticar esporte aquático lá. O acesso é bom e a distância pequena.”
O futuro prefeito de Bauru acha que as vocações locais devem ser respeitadas. “Cada cidade deve respeitar sua vocação e contribuir para o crescimento regional, sem que isso de transforme em uma guerra fiscal.”
Vocação
É indiscutível que a vocação de Bauru é a prestação de serviços, ressalta Tuga. “A vocação de Bauru é a prestação de serviços. Temos também nove universidades e estamos caminhando para 20 mil alunos, temos escolas para formação de técnicos como o Senai, CTI e Senac. É óbvio que somos um centro de mão-de-obra importante, mas não podemos nos contentar só com isso.”
O administrador pretende fazer com que Bauru participe do desenvolvimento do agronegócio da região. “Queremos ter um pólo industrial que sirva e se beneficie de toda uma infra-estrutura instalada ou em instalação como é a questão do aeroporto internacional, do Eadi e dos três distritos industriais.”
Além da perspectiva do agronegócio, Tuga aponta outra questão que deve aproximar os prefeitos: os serviços públicos. “Bauru tem ônibus circular ligando Bauru/Piratininga; Bauru/Agudos e Bauru/Santa Cruz do Rio Pardo. Isso significa que as comunidades estão interdependentes, quer os futuros prefeitos queiram ou não.”
Reconhecer a interdependência das comunidades é importante na opinião dele. “Os prefeitos têm que procurar explorar ao máximo, de tal forma que a população saia beneficiada. O trajeto desses circulares interessam. É importante que se discuta para facilitar a vida dos usuários.”
Identificar o que esses usuários buscam em Bauru é outro tema que deve ser discutido. “Essas pessoas vêm em busca do quê? Por que trabalham, estudam ou por que busca atendimento na área da saúde? Bauru é um centro provedor de serviço de saúde para a região. Tem o Hospital Estadual, o de Base, Manoel de Abreu, o Lauro de Souza Lima e o Centrinho.”
Para ele, na área da saúde é importante que os prefeitos discutam a forma de melhorar esse atendimento e de facilitar a vida dessa população. “Temos que discutir a integração regional nos serviços de saúde, a verticalização dos serviços. Não podemos fechar os olhos para os laços estabelecidos pelas comunidades. Os prefeitos têm que melhorar a situação para as populações.”
Tuga acha que a iniciativa de discutir as questões regionais deve ser produto de um consenso. “Alguém pode ter a iniciativa de convidar os novos prefeitos. Eu teria maior prazer. Isso não significa encabeçar nada. Só disparar um processo”, ressalta.
Na opinião de Tuga, o conforto dos estudantes que viajam todos os dias para Bauru é outro assunto que pode ser discutido pelos prefeitos eleitos. “No período noturno, são inúmeros os ônibus que chegam com jovens universitários de toda a região. A gente precisa discutir o conforto para essas pessoas. A importância dessas pessoas na economia local.”