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Chama a Unesco!


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São bem conhecidas as deficiências do nosso ensino fundamental e mais ainda quando começamos a discutir os desacertos da alfabetização. As escolas públicas não conseguem ensinar sequer as competências básicas da leitura e da escrita à maioria absoluta das crianças que passam pelas suas salas de aula.

Quando até as estatísticas oficiais afirmam que 96% dos alunos estão saindo da 1.ª série e 52% terminando a 5.ª incapazes de interpretar os textos escolares mais simples, fica evidente que algo deve estar errado com o ensino da leitura, e está na hora de começar a perguntar quem pode ajudar a reverter este triste quadro.

As recomendações feitas aos alfabetizadores brasileiros não poderiam ser mais claras. Os analfabetos devem ser colocados para ler e produzir textos, formular hipóteses, exercitar a sua criatividade e construir o próprio saber lingüístico. Não há nenhum tipo de preocupação expressa com a eficácia ou com a avaliação.

Para atender a estes muitos milhões que recebem diploma das nossas escolas sem aprender a ler, centenas de programas tentam alfabetizar jovens e adultos usando esta mesma metodologia, e o resultado assumido é que 15% dos seus formados não conseguem ler nenhuma palavra e 70% deles não lêem nem escrevem textos.

Qualquer processo de aprendizagem que fracassa sugere questionar imediatamente a habilidade do professor, a aptidão do aluno e a eficácia da metodologia. Se todos estamos cansados de saber que não há nada de errado nem com nossos professores nem com nossos alunos, então fica muito evidente que é preciso discutir a metodologia.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e a Academia Internacional de Educação abordam este tema em recente publicação, "Teaching reading", (Ensinando a ler), afirmando que “ensinar a distinguir e a manipular os sons do idioma é provavelmente aplicável à alfabetização de todos os países”, propondo implicitamente a adoção da concepção fônica do ensino da leitura.

Se não bastassem estes conselhos da Unesco, os países que alfabetizam desta maneira, França, Cuba, Inglaterra, Finlândia, Espanha, Alemanha, Suécia, EUA, Canadá, Israel, entre muitos outros, mostram como formar leitores de reconhecido sucesso.

As suas crianças aprendem a ler e a escrever em um ano. Aprendem a distinguir e a manipular os sons do idioma e a segmentar as palavras nestes sons (fonemas). Aprendem as relações entre estes sons e as letras do alfabeto (grafemas). Desenvolvem a correção de tudo que é lido e escrito, lendo e escrevendo.

Não é possível insistir em culpar apenas os professores e os alunos pelos repetidos vexames nacionais e internacionais da nossa alfabetização. É cada dia mais claro que precisamos colocar a metodologia oficializada em discussão e aprender a ensinar a ler com quem sabe. A solução pode estar ao alcance da mão. Chama a Unesco!

O autor, Silo Meireles, é diretor da Editora Primeira Impressão, engenheiro industrial com extensão na Universidade de Paris e pesquisador independente

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