Política

Avanço faz o PSDB projetar 2006

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Embora o governador Geraldo Alckmin insista que a sucessão presidencial não é assunto para o momento, lideranças do PSDB paulista que já estavam animadas com sua indicação para a disputa de 2006, agora estão respaldadas pela performance tucana nas eleições municipais.

Dos 645 municípios do Estado de São Paulo, 195 vão ser governados pelo PSDB a partir de janeiro do ano que vem, ou seja, quase um terço das cidades paulistas estarão sob o domínio dos tucanos. Inclui-se aí a cidade com o maior colégio eleitoral do País: São Paulo. O PT, principal rival do ninho, conquistou 56 prefeituras.

Com esse patrimônio político de dar inveja a qualquer postulante a cargo executivo em 2006, o governador Geraldo Alckmin pode até continuar insistindo que antecipar o debate da sucessão presidencial não é salutar para o cotidiano do País, mas não pode negar que seu partido, o PSDB, vai incomodar muito o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente do diretório estadual do PSDB, deputado Antônio Carlos Pannunzio, nunca escondeu seu entusiasmo com a pré-candidatura interna de Alckmin à Presidência da República. Com o resultado das urnas paulistas, seu entusiasmo cresceu ainda mais.

“O resultado de uma maneira geral no País foi muito bom para o PSDB, mas em São Paulo foi excepcional. Conquistamos 195 prefeituras. Ganhamos de longe do PT, por exemplo. Mas essa não é uma referência que por si só permite uma conclusão”, diz o dirigente tucano.

Pannunzio avalia que a quantidade de eleitores que estarão prestigiando a administração tucana é mais importante do que o número de prefeituras conquistadas. “Só em São Paulo são 7 milhões de eleitores”, destaca, lembrando que a legenda também saiu vitoriosa no Interior do Estado.

O parlamentar é defensor árduo da candidatura Alckmin. Recentemente, numa avaliação sobre o quadro político interno do PSDB, ele comentou que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, até então um dos presidenciáveis, ainda tem mais um mandato pela frente.

Pannunzio lembrou que o senador cearense Tasso Jereissati, outro nome lembrado para a indicação da disputa presidencial, está “encantado” com o Legislativo. Para completar o raciocínio, o parlamentar tucano afirma que o prefeito eleito de São Paulo José Serra não vai deixar o governo da maior cidade do País para disputar, mais uma vez, o Palácio do Planalto. E muito menos o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estaria disposto a enfrentar o pleito.

Portanto, o quadro político interno do PSDB é favorável a Alckmin. Pannunzio faz essa leitura pró-Alckmin com a concordância de outras lideranças do PSDB. Seu vice presidente no comando do diretório estadual, o deputado Pedro Tobias, reforça o discurso.

“O governador é o candidato natural do PSDB à Presidência da República”, afirma com convicção. O parlamentar tucano diz que a administração Alckmin por si só é um cabo eleitoral de peso numa virtual disputa à Presidência da República em 2006.

No rolo compressor protagonizado pelas lideranças tucanas pró-Alckmin aparece também os elogios do empresário Caio Coube, presidente licenciado da executiva municipal do PSDB.

“Eu também tenho essa percepção (do quadro político interno do PSDB). O governador faz uma gestão austera, muito eficiente do ponto de vista administrativo. E essa imagem não é exclusividade dos paulistas. Tenho viajado por esse País e por onde passo a referência a Alckmin é sempre lembrada por adjetivos como seriedade e competência”, conta.

Seu vice-presidente na executiva, Carlos Ladeira, engrossa a lista de defensores da candidatura do governador ao Palácio do Planalto. “A conquista da Capital e de cidades importantes no Estado e no País reforça o projeto de poder do partido, que tem no Alckmin seu principal protagonista”, garante.

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