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Aves professoras


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Não apenas podem arvorar-se as mestras, retransmitindo o que o mundo lhes ensina, e, então, dando uma de professoras incontestáveis. Também outras espécies, nem sempre humanas, podem vir a fazê-lo, e, por isso, tornando-se mais úteis à comunidade que o rotineiro. Até as aves podem incluir-se aí. Estamos tendo certa amostra disso. Uma passarada, com a plumagem alvoroçada pelos primeiros raios solares, despertou-se, bateu asas e, pegando as sombras da avenida, dirigiu-se diretamente ao Parque Vitória Régia.

Ali encontrou um grupo de crianças, de uma escola da circunvizinhança, que fôra levada para uma manhã de recreio. Não se assustaram as aves com a algazarra da meninada, mesmo porque estavam acostumadas com o espetáculo. E passaram, então, imediatamente, a fazer as suas também, esquivando-se de atritos, esvoaçando na área, saltitando aqui e ali, procurando alimentos no solo, assentando-se em fios elétricos e neles andando, querendo, talvez, divisar ninhos nas árvores contíguas. E com que disposição o faziam, pondo diante dos olhos da garotada a coragem e a solidariedade para viver o que a vida lhes exige agora e exigirá sempre, como acontece com as pessoas, cujas existências terão pela frente e pelos flancos muitos labirintos para enfrentar e tentar superar, inclusive a violência urbana e suburbana praticada por sucedâneos.

Dir-se-iam professoras também, como as das escolas e dos lares, ensinando educação e cortesia à sua maneira e com a sua notória suavidade que os caminhos dos seres humanos são iguais aos dos pássaros, com seus tropeços, suas conquistas, suas derrotas e suas vitórias, cabendo-lhes aprender a segui-los para conseguir alcançar suas metas, nem todas fáceis de serem encontradas, sem o sacrifício dos óbices.

A fome que assola as pessoas não é diferente da que se abate sobre as aves e outras espécies. É a nossa opinião.

N. Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. “A expectativa é o que nos nutre antes e põe cores de céu e sol na nossa vida, mas, quando os anos passam como instantes a tudo a reminiscência apenas nos convida”.

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