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Direção noturna sem pesadelos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Dirigir à noite na rodovia pode não ser mais difícil, mas exige mais cuidados do que guiar durante o dia, principalmente porque a visibilidade é menor. E uma das principais preocupações de quem prefere ou tem necessidade de viajar neste período deve ser como encarar eventuais emergências, como um pneu furado, defeitos mecânicos no veículo ou as condições adversas do clima, a fim de que elas não possam originar verdadeiras tragédias nas estradas.

“Um acidente sempre é causado pela combinação de dois fatores: a imprudência de um condutor com a distração de outro. Além disso, à noite, apesar do número de veículos diminuir de 60% a 70%, a quantidade de ocorrências não diminui nessa proporção e, o que é pior, a gravidade aumenta porque os condutores têm a tendência de exceder a velocidade”, alerta o tenente Wanderlei de Andrade Júnior, da Polícia Rodoviária de Bauru.

Por isso, acrescenta o oficial, enfrentar e superar uma emergência na rodovia demanda, acima de tudo, calma e conhecimento de regras básicas de segurança. Na troca de um pneu furado, por exemplo, os principais mandamentos são jamais permanecer com qualquer parte do veículo e do corpo próximo à via e providenciar sinalização imediata.

“É preciso parar no acostamento o mais longe possível da borda da via e mais próximo à vegetação. É uma providência ainda mais necessária se o pneu furado for o do lado esquerdo, o que fará, naturalmente, o condutor a substituí-lo mais perto da rodovia”, enfatiza Wanderlei. “Também é obrigatório acionar o pisca-alerta e colocar o triângulo de segurança atrás do veículo e, no mínimo, a 30 metros, distância que pode ser obtida dando 30 passos largos”, orienta o oficial.

Neste caso, complementa o tenente, há a possibilidade de procurar um posto de combustíveis ou as bases da Polícia Rodoviária ou dos Serviços de Atendimento ao Usuário (SAU), estes existentes em rodovias pedagiadas, para se prevenir de eventuais atos criminosos. “Se o veículo permitir que se rode e o motorista souber que há estes locais logo à frente, é preferível andar e até perder um pneu do que correr o risco de ser assaltado ou roubado”, frisa Wanderlei.

Mas ao tomar tal atitude o oficial chama a atenção para se evitar um procedimento perigoso. “Nunca se deve rodar com o pisca-alerta ligado, pois além de impedir que outros condutores saibam sua intenção de sinalização, estudos demonstram que isso causa um efeito hipnótico nos demais motoristas, que se distraem e perdem a noção de distâncias”, adverte Wanderlei.

Já se o veículo apresentar uma avaria que o impeça de continuar a rodar – pneu estourado ou defeitos no motor e no sistema de iluminação – a prudência manda estacionar no acostamento, seguir as mesmas regras de segurança adotadas no caso do pneu furado e, o mais rápido possível, acionar a Polícia Rodoviária ou o SAU. “Se a pessoa não souber o número, pode ligar para o 190 da Polícia Militar, que se encarregará de nos avisar e nós entraremos em contato com o SAU mais próximo”, recomenda o tenente.

Em caso de chuva ou neblina à noite, a velocidade e o uso dos faróis devem ser compatíveis com as condições climáticas. “É fundamental que se reduza a velocidade e, principalmente, o farol utilizado seja o baixo para evitar ofuscamento dos outros condutores”, conclui Wanderlei.

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Vilões

Há quem, por opção, realize a maioria de suas viagens no período noturno. O tenente Wanderlei Andrade Júnior, da Polícia Rodoviária de Bauru é um deles. Ele justifica que, à noite, o desgaste físico e do próprio automóvel são menores, além de chegar ao destino com pouco trânsito. Entretanto, o oficial admite. “Se puder optar, via de regra, viaje sempre de dia. É melhor. Deixe à noite para dormir”, enfatiza.

Para o tenente, se viajar à noite for uma necessidade, ou mesmo questão de predileção pessoal, é preciso preparar-se, providência que ele faz questão de tomar. “Neste caso, é essencial que o motorista, pelo menos, durma durante o dia”, ressalta Wanderlei.

Segundo o oficial, tais procedimentos são fundamentais para evitar o aparecimento de dois grandes “vilões” da direção noturna: sono e cansaço. “Especialistas dizem que, em determinado momento, após muitas horas sem dormir, o corpo apaga involuntariamente. Isso quer dizer que, por mais que se queira ficar acordado, mesmo contra a própria vontade a pessoa dormirá por alguns segundos ou menos”, alerta.

E são justamente nesses curtos e perigosos intervalos de tempo que tragédias podem ocorrer. Para se ter uma idéia, um carro a 110 km/h percorre, em um segundo, a distância de 30 metros. “Por isso, não se deve insistir em dirigir quando se está com sono”, finaliza Wanderlei.

Antes de iniciar a viagem

• Programe com antecedência o trajeto, o tempo estimado para a viagem e os intervalos de descanso. Agindo assim, em uma emergência você saberá se está perto ou não de um posto de combustíveis ou de bases da Polícia Rodoviária para pedir auxílio

• Não esqueça dos documentos de porte obrigatório: Carteira Nacional de Habilitação (CNH), RG e Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV)

• Se for de moto, cheque antes de sair o funcionamento da iluminação traseira e do sistema de sinalização e vá vestido de capacete, blusão e óculos

• Durma pelo menos oito horas durante à noite

• Alimente-se de comidas leves, como saladas e carnes brancas grelhadas, para facilitar a digestão. Alimentos pesados causam sono

• Tome um banho calmo, pois a água tem propriedades revigorantes sobre o corpo

• Peça para alguém lhe acompanhar na viagem. Além de ajudar a manter a vigília, o passageiro servirá como um fiscal de suas condições físicas e até poderá revezar ao volante enquanto você descansa

Evite sempre

• Ingerir bebidas alcóolicas antes ou durante a viagem, mesmo em doses pequenas

• Viajar por muito tempo sem fazer paradas para descanso.

O ideal é parar de duas em duas horas, ou menos

• Iniciar a viagem como sono em atraso, como após ter dormido pouco durante à noite

• Consumir remédios que causam sono, como calmantes, analgésicos antes ou durante a viagem

Se estiver com sono ao dirigir

• Abra as janelas do veículo, diminua a velocidade e siga para o próximo posto de parada. Não pare no acostamento

• Desça no posto (base da Polícia Rodoviária ou de combustível), vá até ao banheiro e lave o rosto

com água fria. Depois, tome um café quente e forte

• Se possível, durma ao menos 20 minutos, tempo suficiente para dirigir por mais uma ou duas horas sem sono

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