Bairros

‘Bairros oferecem tranqüilidade’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Os profissionais da área de saúde que não atuam na região central apontam vários motivos que justificam a preferência pelos bairros. Um deles é a tranqüilidade e a comodidade para os pacientes.

O médico oftalmologista Flávio Buzalaf, por exemplo, há seis meses atende seus pacientes em um consultório localizado no Núcleo Mary Dota. “É prático para o paciente. Estou realmente satisfeito com o bairro”, afirma.

Ele conta que decidiu atuar no Mary Dota porque percebeu que lá havia carência de serviços de saúde. “A intenção foi fazer um consultório oftalmológico para atender às necessidades da população local. Muitas pessoas não têm acesso aos consultórios localizados no Centro”, diz.

O oftalmologista afirma que a aceitação da comunidade foi boa e que grande parte de seus pacientes moram no próprio bairro. “Eu atendo algumas pessoas que antes procuravam atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com a vinda do consultório para cá, elas deixaram de passar pelo SUS porque fazemos a consulta a um preço mais acessível, compatível com o bairro”, explica.

Embora a iniciativa do Núcleo Mary Dota tenha tido resultados positivos, Buzalaf ainda atende poucos pacientes no antigo consultório do Centro. Comparando os dois locais, ele aponta vantagens do bairro.

“O acesso é mais fácil. É fácil de estacionar e temos tranqüilidade. Por ser bairro, tudo é mais simples do que no Centro”, enfatiza o médico.

A dentista Luciana Avallone Rodrigues também optou pelo bairro. Ela já trabalhou na região central, mas atualmente atende seus pacientes na Vila Independência. A maior parte de seus clientes mora nas proximidades do consultório.

“O pessoal pensa que, por ser no bairro, o preço é mais em conta. Os consultórios de bairro não assustam tanto a pessoa. Eu não mudaria daqui para outro bairro. Se um dia eu sair daqui, eu vou para outro consultório no mesmo bairro”, frisa.

A psicóloga clínica Tomi Tadano também gosta da Vila Independência como local de trabalho. “A minha rua é fácil de estacionar e o acesso é fácil. Isso é muito é importante”, observa.

Outro aspecto relevante, segundo Tomi, é a ausência de barulho. “É muitíssimo importante para o profissional e para quem é atendido não ter barulho. O ruído acaba atrapalhando a qualidade do trabalho”, afirma.

A psicóloga salienta que é a favor da descentralização. “Eu acho que os profissionais deveriam descentralizar mais. Eu sou dessa opinião porque, de uma certa forma, não fica elitizando. Numa vila como a Independência, já deveria haver não só a minha clínica como outras”, avalia.

A cirurgiã plástica Carla Cardia Ticianeli é outra profissional que saiu da região central para instalar-se em um bairro. Até pouco tempo atrás, ela recebia seus pacientes em plena rua Antônio Alves.

“O consultório era a própria propaganda porque era uma área de bastante fluxo. Mas era um local difícil de estacionar. Os pacientes chegavam atrasados e eu também, por falta de lugar para estacionar”, conta.

Hoje, ela tem um consultório no Jardim Europa. “Eu queria ir para um lugar mais confortável para o paciente, apesar de mais longe. Mas eu procurei um local com várias linhas de ônibus, para acessar várias camadas da população”, explica.

A nova localização facilitou também o acesso para pacientes de outras cidades e outros que chegam em ambulância. “Os pacientes têm gostado do local. Hoje em dia, Bauru está bem sinalizada e tem mapas nas listas telefônicas. Não é difícil de encontrar”, reforça.

Carla também ressalta a importância de ter tranqüilidade no local de trabalho. “O silêncio favorece muito. O Centro era muito barulhento, tinha muito ônibus. Às vezes, estávamos em cirurgia, alguém buzinava lá fora no trânsito e a gente perdia um pouco a concentração. No bairro já não tem isso. É bem gostoso”, garante.

A médica tem pacientes de várias regiões da cidade mas está conquistando também a clientela do próprio Jardim Europa e imediações. “Muitos pacientes passam pela avenida Nossa Senhora de Fátima e conseguem ver a clínica por ter um terreno vago em frente. Se eu estivesse no Centro do Jardim América não aconteceria tanto isso, mas consegui um local tranqüilo e de boa visibilidade. Estou satisfeita”, expõe.

O Parque São Geraldo foi eleito pelo cirurgião dentista Rogério Savi de Carvalho para montar seu consultório. “O consultório nos bairros tem como objetivo tornar fácil o acesso ao tratamento odontológico aos moradores deste bairro”, explica.

A comodidade para os pacientes que moram no bairro é um fator que Carvalho destaca. “Crianças podem ir ao dentista desacompanhadas dos pais, desde que autorizadas. Os pais economizam seu dinheiro com transporte e ainda dispõem de uma opção mais rápida para o seu tratamento”, argumenta.

O cirurgião acredita, ainda, que contribui para o desenvolvimento do bairro. “Participando do comércio do bairro, você contribui para seu crescimento”, diz.

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No Centro

Enquanto alguns profissionais da saúde procuram o potencial inexplorado de bairros afastados do Centro, outros continuam preferindo a região central.

É o caso da médica dermatologista Tânia Moutinho de Almeida Nunes Viviani, que tem um consultório na rua Cussy Júnior. Antes de se instalar no local, ela trabalhava na quadra 19 da rua Gustavo Maciel.

“O pessoal prefere mais o Centro. Espontaneamente eles falam. O acesso é mais fácil, é fácil estacionar etc. Além disso, eles emendam uma ida à Batista de Carvalho e aproveitam para fazer duas coisas ao mesmo tempo. Tem gente que chega aqui com sacolas”, expõe.

Tânia afirma que vários pacientes reclamam de consultórios distantes do Centro

da cidade. Ela já pensou em trabalhar em bairro residencial, mas desistiu por esse motivo.

A psicóloga Ana Cláudia Comegno conseguiu um local para atender seus pacientes que alia tranqüilidade à proximidade do Centro. Ela trabalha nas proximidades do cruzamento das avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves.

“É um local tranqüilo, sem barulho, sem interferências de ruídos. Tem espaço para estacionar, não precisa de cartão Área Azul. Tudo isso facilita. Além disso, tem acesso fácil a ônibus por estar perto da Rodrigues Alves”, diz.

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